Imigrante é incluído por engano em lista de "piores criminosos" dos EUA e removido após questionamentos

Departamento de Segurança Interna retirou o nome de trabalhador de Minnesota do site após jornalistas apontarem inconsistências

Por Lara Barth

U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE)

Um imigrante que vive em Minnesota afirmou ter ficado chocado ao descobrir que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) o havia incluído em uma lista oficial que reúne os chamados “piores dos piores” imigrantes detidos no país por crimes graves.

Telesforo Cerero-Palacios, de 53 anos, trabalha com reformas residenciais e diz não ter histórico criminal relevante. Ele soube que estava na lista depois que um parente encontrou sua foto no site do DHS, que apontava como suposto crime envolvimento com “drogas perigosas”.

“Eu pensei: o que aconteceu aqui? Por que o sistema deles diz isso sobre mim?”, contou Cerero-Palacios em entrevista à ABC News.

Documentos do próprio governo analisados pela emissora, no entanto, indicam que ele não possui antecedentes criminais relacionados a drogas. O registro oficial de imigração apenas menciona que ele admitiu estar sem documentos legais para permanecer nos Estados Unidos.

Segundo o documento, agentes federais foram até a casa dele em abril de 2025 durante uma operação para prender outro indivíduo. Durante a ação, Cerero-Palacios foi questionado sobre sua situação migratória e acabou detido após admitir que estava no país sem autorização.

A única ocorrência citada no histórico é uma prisão em 1998 por fornecer nome falso a um policial, caso que acabou arquivado em 2000.

Apesar disso, o DHS manteve sua foto no site que reúne milhares de imigrantes classificados como criminosos perigosos. Após a ABC News questionar o caso, o nome de Cerero-Palacios foi retirado da base de dados, sem explicação oficial.

O homem chegou a passar 16 dias em um centro de detenção migratória e foi liberado após pagamento de fiança, segundo sua advogada, Gloria Contreras Edin. Para ela, a inclusão na lista levanta dúvidas sobre possíveis erros semelhantes com outras pessoas.

“Se ele realmente fosse um traficante de drogas, jamais teria sido liberado sob fiança”, disse.

Cerero-Palacios afirma que a situação afetou profundamente sua vida e reputação. Com medo de ser preso novamente, ele passou a sair de casa apenas para trabalhar.

“Imagine quantas pessoas viram minha foto. Minha reputação está destruída. Vão dizer que eu parecia trabalhador, mas estava envolvido com drogas”, lamentou.

Ele ainda enfrenta um processo migratório e tem uma audiência marcada para abril.

Fonte: ABC