Mortes sob custódia do ICE atingem maior nível em 20 anos nos EUA
Caso de afegão que auxiliou forças americanas reacende críticas sobre condições em centros de detenção
O número de mortes sob custódia do serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE) atingiu o maior nível em duas décadas, segundo análise de dados oficiais. O caso mais recente é o de Mohammad Nazeer Paktiawal, afegão de 41 anos que havia colaborado com as forças americanas e morreu menos de 24 horas após ser detido no Texas.
Paktiawal foi preso em 13 de março, no norte do estado, e, segundo a família, já apresentava problemas de saúde no momento da detenção. Horas depois, ele morreu, e o caso segue sob investigação. Ele é a 12ª pessoa a morrer sob custódia do ICE apenas neste ano — número três vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em 2025, foram 31 mortes, o maior total em 20 anos.
O aumento ocorre em meio à expansão das detenções, que ultrapassaram 68 mil pessoas no início de fevereiro, impulsionadas por políticas mais rígidas de imigração. Mesmo considerando o crescimento da população detida, a taxa de mortalidade também subiu, chegando a 5,6 mortes a cada 10 mil detentos.
Organizações de direitos humanos e parlamentares denunciam falhas no atendimento médico e condições inadequadas nos centros de detenção. Relatos incluem atrasos em cuidados de saúde, falta de medicamentos e problemas no acompanhamento de saúde mental. O ICE nega irregularidades e afirma que oferece atendimento médico completo desde a chegada dos detidos.
Para a família de Paktiawal, que teria servido ao lado do Exército americano por cerca de uma década, a morte poderia ter sido evitada. “Quero respostas para os filhos dele e para nossa família. O que aconteceu com meu irmão?”, questionou um parente.
Fonte: CBS