Trump não descarta ações de imigração em aeroportos após envio de agentes do ICE

Governo mobiliza agentes para reforçar segurança durante crise na TSA, mas admite possibilidade de fiscalização migratória

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) realizem ações de imigração em aeroportos, após o envio desses profissionais para auxiliar na segurança durante a crise provocada pela paralisação parcial do governo.

Os agentes começaram a ser deslocados para mais de uma dúzia de aeroportos com o objetivo inicial de ajudar a Administração de Segurança no Transporte (TSA), que enfrenta escassez de funcionários devido à falta de pagamento. Segundo o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, a função principal é “preencher lacunas de segurança” e permitir que agentes da TSA foquem em tarefas técnicas, como inspeção de passageiros e bagagens.

Apesar disso, Trump afirmou que os agentes continuarão exercendo suas funções como autoridades federais. “Eles também podem prender imigrantes ilegais”, disse o presidente, acrescentando que os aeroportos podem ser um ambiente propício para esse tipo de abordagem — embora tenha reforçado que essa não é a missão principal.

Homan também indicou que, caso identifiquem atividades ilegais — como tráfico humano ou contrabando —, os agentes devem agir. Ele ressaltou, no entanto, que qualquer prisão exige causa provável, conforme a lei.

A presença do ICE nos aeroportos ocorre em meio a um impasse político em Washington sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS). Enquanto o ICE segue financiado, outras agências, como a TSA, enfrentam dificuldades, o que levou a faltas em massa e até demissões.

Há ainda divergências dentro do próprio governo sobre o papel desses agentes. Enquanto Homan afirma que eles não têm treinamento para operar equipamentos de segurança, o secretário de Transportes, Sean Duffy, disse que os profissionais têm experiência com sistemas semelhantes em operações na fronteira.

A medida também gerou críticas e preocupações sobre possíveis conflitos de função, já que a atuação simultânea em segurança aeroportuária e fiscalização migratória pode gerar confusão e impacto na eficiência do sistema.

Fonte: ABC