Trump não descarta ações de imigração em aeroportos após envio de agentes do ICE
Governo mobiliza agentes para reforçar segurança durante crise na TSA, mas admite possibilidade de fiscalização migratória
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) realizem ações de imigração em aeroportos, após o envio desses profissionais para auxiliar na segurança durante a crise provocada pela paralisação parcial do governo.
Os agentes começaram a ser deslocados para mais de uma dúzia de aeroportos com o objetivo inicial de ajudar a Administração de Segurança no Transporte (TSA), que enfrenta escassez de funcionários devido à falta de pagamento. Segundo o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, a função principal é “preencher lacunas de segurança” e permitir que agentes da TSA foquem em tarefas técnicas, como inspeção de passageiros e bagagens.
Apesar disso, Trump afirmou que os agentes continuarão exercendo suas funções como autoridades federais. “Eles também podem prender imigrantes ilegais”, disse o presidente, acrescentando que os aeroportos podem ser um ambiente propício para esse tipo de abordagem — embora tenha reforçado que essa não é a missão principal.
Homan também indicou que, caso identifiquem atividades ilegais — como tráfico humano ou contrabando —, os agentes devem agir. Ele ressaltou, no entanto, que qualquer prisão exige causa provável, conforme a lei.
A presença do ICE nos aeroportos ocorre em meio a um impasse político em Washington sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS). Enquanto o ICE segue financiado, outras agências, como a TSA, enfrentam dificuldades, o que levou a faltas em massa e até demissões.
Há ainda divergências dentro do próprio governo sobre o papel desses agentes. Enquanto Homan afirma que eles não têm treinamento para operar equipamentos de segurança, o secretário de Transportes, Sean Duffy, disse que os profissionais têm experiência com sistemas semelhantes em operações na fronteira.
A medida também gerou críticas e preocupações sobre possíveis conflitos de função, já que a atuação simultânea em segurança aeroportuária e fiscalização migratória pode gerar confusão e impacto na eficiência do sistema.
Fonte: ABC