Suprema Corte dos EUA avalia se governo pode barrar pedidos de asilo na fronteira
Caso envolve política defendida por Trump que permite rejeitar migrantes ainda nos pontos de entrada, mesmo com alegações de perseguição
A Suprema Corte dos Estados Unidos analisa nesta terça-feira um caso decisivo sobre o direito de imigrantes solicitarem asilo na fronteira com o México. A disputa gira em torno da política defendida pelo presidente Donald Trump, que busca ampliar a autoridade do governo para barrar migrantes nos pontos oficiais de entrada, independentemente de seus pedidos de proteção.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem adotado medidas rígidas na fronteira sul, incluindo o bloqueio da entrada de não cidadãos — até mesmo aqueles que alegam medo de violência ou perseguição em seus países de origem.
Organizações de defesa dos imigrantes contestam a política na Justiça, argumentando que ela viola a Lei de Imigração e Nacionalidade, que garante o direito de qualquer pessoa “fisicamente presente” ou que “chegue aos Estados Unidos” de solicitar asilo. O ponto central do debate é justamente a interpretação do que significa “chegar” ao país.
O governo sustenta que migrantes impedidos ainda em território mexicano não podem ser considerados como tendo chegado aos EUA. Já ativistas afirmam que o Congresso adotou uma visão mais ampla ao formular a lei, permitindo que pedidos sejam feitos nos pontos de entrada oficiais.
O caso também envolve a chamada política de “turn back” (devolução), utilizada durante o primeiro mandato de Trump, que obrigava solicitantes de asilo a aguardarem no México até que pudessem ser atendidos — muitas vezes em condições precárias e perigosas. Embora a prática tenha sido suspensa em 2021 após decisão judicial, o governo agora busca respaldo da Suprema Corte para restabelecê-la.
Especialistas alertam que uma decisão favorável à administração pode ter impactos significativos, ampliando o poder do governo para restringir o acesso ao asilo, mesmo que os efeitos não sejam imediatos.
Relatos de migrantes reforçam a gravidade da questão. Um solicitante mexicano, identificado apenas como Benito, afirmou ter sido torturado e ameaçado de morte antes de tentar pedir asilo. Segundo ele, mesmo apresentando evidências de violência, foi impedido de entrar nos Estados Unidos.
A decisão da Suprema Corte é esperada até o fim de junho e pode redefinir a política migratória americana, especialmente no que diz respeito ao acesso ao asilo na fronteira.
Fonte: ABC