Venezuelano deportado para megaprisião em El Salvador processa os EUA e pede US$ 1,3 milhão

Homem afirma ter sofrido tortura, maus-tratos e prisão arbitrária após ser expulso do país sem devido processo legal

Por Lara Barth

EUA deporta brasileiros

Um venezuelano deportado dos Estados Unidos e mantido na controversa prisão CECOT, em El Salvador, entrou com uma ação judicial contra o governo americano pedindo ao menos US$ 1,3 milhão em indenização. O processo foi protocolado na terça-feira em um tribunal federal e é considerado o primeiro caso conhecido de um ex-detento dessa unidade a buscar reparação na Justiça dos EUA.

Neiyerver Adrián Leon Rengel, de 28 anos, descreveu em entrevista à CBS News os meses que passou na prisão como um “inferno total”. Segundo ele, os detentos eram constantemente agredidos e submetidos a condições degradantes, incluindo a necessidade de beber a mesma água usada para banho. Ele também relatou ameaças de permanecer encarcerado por até 90 anos.

“Chegou um ponto em que pensei em me enforcar com o lençol que nos deram”, afirmou.

Leon Rengel foi um dos centenas de venezuelanos deportados para El Salvador em março de 2025, onde permaneceram incomunicáveis por cerca de quatro meses na CECOT. Eles foram libertados em julho do mesmo ano como parte de uma troca de prisioneiros.

Relatórios de organizações como a Human Rights Watch apontam que os detentos sofreram abusos físicos e psicológicos, incluindo casos de violência sexual, classificando o período de encarceramento como “detenção arbitrária” e “tortura” segundo o direito internacional.

Na ação judicial, os advogados de Leon Rengel alegam prisão ilegal e danos emocionais graves. Eles afirmam que o venezuelano foi mantido em condições desumanas, sem acesso adequado a cuidados médicos, contato com a família ou assistência jurídica.

O processo conta com o apoio de organizações como a League of United Latin American Citizens (LULAC) e foi apresentado com base na Lei Federal de Responsabilidade Civil dos EUA.

A deportação de Leon Rengel ocorreu durante uma operação do governo Trump que enviou 238 venezuelanos a El Salvador sob a justificativa de que seriam membros da organização criminosa Tren de Aragua. No entanto, investigações jornalísticas indicam que muitos dos deportados não tinham antecedentes criminais ou envolvimento com crimes violentos.

Leon Rengel nega qualquer ligação com gangues e afirma que foi identificado como integrante do grupo por causa de uma tatuagem em forma de leão com uma máquina de cortar cabelo — referência, segundo ele, ao seu trabalho como barbeiro.

Registros judiciais indicam que ele possuía apenas uma infração leve nos EUA e ainda tinha um processo de imigração em andamento, sem ordem formal de deportação. Apesar disso, foi expulso do país sem o devido processo legal, o que ainda é alvo de disputas judiciais.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) sustenta que Leon Rengel tem ligação com o Tren de Aragua, mas não apresentou provas, alegando questões de segurança nacional.

Atualmente de volta à Venezuela, ele afirma não ter interesse em retornar aos Estados Unidos e diz que seu principal objetivo é limpar seu nome. Para ele, a deportação e a detenção representaram uma violação clara de seus direitos humanos.

Fonte: CBS