Suprema Corte dos EUA demonstra ceticismo sobre decreto de Trump contra cidadania por nascimento

Maioria dos juízes questiona base legal da medida que tenta restringir direito garantido pela Constituição

Por Lara Barth

Suprema Corte dos EUA

A Suprema Corte dos Estados Unidos indicou ceticismo em relação ao decreto do presidente Donald Trump que busca acabar com a cidadania automática para pessoas nascidas no país. O tema foi debatido nesta quarta-feira (1º) em um caso considerado central para a política migratória do governo.

Durante a sessão, a maioria dos juízes — incluindo membros da ala conservadora — fez questionamentos à base jurídica da medida. O decreto pretende negar cidadania a filhos de imigrantes em situação irregular ou com temporário, reinterpretando a 14ª Emenda da Constituição.

O presidente Trump acompanhou pessoalmente parte da audiência, algo raro para um chefe de Estado em exercício. Após a sessão, voltou a criticar a política atual, afirmando nas redes sociais que os Estados Unidos seriam “o único país” a adotar esse modelo de cidadania.

A 14ª Emenda, em vigor há mais de um século, estabelece que praticamente todas as pessoas nascidas em solo americano são cidadãs. O governo Trump, no entanto, defende uma leitura mais restritiva da expressão “sujeitas à jurisdição” do país, argumentando que o direito não deveria se aplicar a filhos de imigrantes sem status legal permanente.

O procurador-geral adjunto D. John Sauer sustentou que a cidadania deveria depender de residência legal e intenção de permanência. No entanto, juízes como John Roberts e Elena Kagan questionaram a interpretação, classificando os exemplos apresentados como limitados e pouco aplicáveis à realidade atual.

Outros magistrados levantaram preocupações práticas, como a dificuldade de determinar o status dos pais no momento do nascimento e os possíveis impactos administrativos da medida. Também houve questionamentos sobre a ausência de menção explícita a essas restrições nos debates históricos da emenda.

Do outro lado, representantes dos autores da ação afirmaram que a proposta pode retirar a cidadania de milhares de crianças e colocar em risco o status de milhões de americanos. Eles defendem que a jurisprudência consolidada, especialmente a decisão do caso Wong Kim Ark, de 1898, garante o direito independentemente do status migratório dos pais.

A decisão da Suprema Corte deve ser anunciada até o fim de junho ou início de julho e poderá ter amplo impacto sobre a política migratória e os direitos civis nos Estados Unidos.

Fonte: CBS