Cerca de 200 mil adotados no exterior podem enfrentar risco de deportação nos EUA, alertam advogados
Falhas na concessão de cidadania deixam milhares de pessoas vulneráveis, mesmo após décadas vivendo no país
Aproximadamente 200 mil pessoas adotadas fora dos Estados Unidos podem estar em risco de detenção ou deportação por não terem obtido formalmente a cidadania americana, segundo advogados especializados em imigração.
Ao longo das últimas décadas, mais de 500 mil crianças estrangeiras foram adotadas por famílias americanas. No entanto, em muitos casos, os pais adotivos não concluíram o processo legal de cidadania, deixando esses indivíduos — que cresceram e viveram praticamente toda a vida nos EUA — sem status migratório regular.
De acordo com especialistas, muitos desses adotados sequer sabiam que não eram cidadãos até recentemente, já que sempre viveram como americanos. “Diferente de outros imigrantes, eles nunca questionaram seu status legal”, afirmou a advogada Mónica Dooner Lindgren ao *New York Times*.
O tema ganhou urgência diante do endurecimento das políticas migratórias e do aumento das ações de fiscalização. Há relatos de que agentes de imigração têm detido pessoas mesmo quando elas apresentam documentos como passaporte americano, que normalmente comprova cidadania.
A situação tem gerado medo entre adotados internacionais, especialmente em estados com alto número de adoções, como Minnesota. Muitos evitam até mesmo regularizar sua situação por receio de chamar atenção das autoridades.
Tentativas anteriores do Congresso de resolver a questão deixaram lacunas. Uma lei de 2001 concedeu cidadania automática a adotados menores de 18 anos na época, mas excluiu dezenas de milhares que já eram adultos. Um novo projeto bipartidário busca corrigir isso, garantindo cidadania automática a todos os adotados internacionais, mas ainda enfrenta incertezas para aprovação.
Enquanto isso, advogados relatam um dilema crescente entre seus clientes: buscar regularização e correr riscos, ou permanecer invisível ao sistema. O cenário expõe uma fragilidade legal que afeta pessoas que, na prática, sempre se consideraram — e foram consideradas — americanas.
Fonte: The Independent