ICE reduz detenções de imigrantes sem antecedentes após operação em Minnesota, apontam dados
Queda de 12% na população sob custódia indica mudança de estratégia, mas números ainda seguem em níveis históricos
A população de imigrantes sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) registrou queda de 12% entre janeiro e o fim de março, após atingir um recorde no início do ano. A redução foi impulsionada, principalmente, pela diminuição nas detenções de pessoas sem antecedentes criminais.
Os dados surgem após forte repercussão negativa de uma operação realizada em Minnesota, que gerou críticas bipartidárias e envolveu a morte de dois cidadãos americanos durante ações de agentes federais. O episódio provocou mudanças na liderança do Departamento de Segurança Interna (DHS) e indicativos de revisão na política de imigração do governo Donald Trump.
Apesar da queda, os números ainda são elevados: cerca de 63 mil pessoas estavam detidas diariamente em março, abaixo das 72 mil registradas em janeiro, mas acima dos níveis observados em administrações anteriores.
A redução mais significativa ocorreu entre imigrantes sem histórico criminal — grupo que, ainda assim, continua sendo o maior dentro do sistema. Entre janeiro e março, esse contingente caiu 21%. Já as detenções de pessoas com acusações ou condenações criminais tiveram recuos menores, de 5% e 4%, respectivamente.
Autoridades do governo sinalizam uma possível mudança de abordagem, com foco maior em indivíduos com antecedentes criminais e menor uso de operações amplas em grandes cidades. O novo secretário do DHS, Markwayne Mullin, afirmou que pretende priorizar a cooperação com autoridades locais e o uso de mandados judiciais em ações de busca.
Mesmo assim, especialistas alertam que ainda é cedo para afirmar se há uma mudança estrutural na política migratória. Para analistas, o atual cenário pode refletir apenas um ajuste temporário após a pressão pública.
Dados também mostram uma queda nas chamadas “prisões colaterais” — quando imigrantes não são alvos diretos das operações, mas acabam detidos. Esse tipo de ação representava mais de 25% das prisões no início do ano e caiu para menos de 20% em março.
Enquanto isso, o governo mantém o discurso de endurecimento contra imigrantes com histórico criminal, afirmando que as ações seguem alinhadas à promessa de priorizar a segurança pública.
Fonte: CBS