Esposa de sargento do Exército dos EUA é detida pelo ICE durante entrevista migratória no Texas

Militar com 27 anos de serviço questiona prisão e diz não entender decisão; caso levanta debate sobre política imigratória

Por Lara Barth

Esposa de sargento do Exército dos EUA é detida pelo ICE durante entrevista migratória no Texas

A detenção de Deisy Rivera Ortega, esposa de um sargento do Exército dos Estados Unidos, reacendeu o debate sobre a política imigratória do país. Ela foi presa pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) no último dia 14 de abril, durante uma entrevista em um escritório de imigração em El Paso, no Texas.

O marido, o sargento de primeira classe Jose Serrano, de 51 anos, afirmou em entrevista à CBS News que não compreende o motivo da prisão. Com 27 anos de serviço militar — incluindo atuação no Afeganistão — ele disse que a esposa sempre seguiu as regras migratórias e possuía autorização de trabalho válida no momento da detenção.

Rivera Ortega vive nos Estados Unidos desde 2016 e, em 2019, obteve proteção legal que impede sua deportação para El Salvador, seu país de origem, com base na Convenção contra a Tortura. Apesar disso, autoridades informaram que ela pode ser deportada para um terceiro país, como o México, onde não possui vínculos.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que a salvadorenha entrou ilegalmente no país e foi alvo de uma ordem de deportação em 2019, após “devido processo legal”. O órgão também a classificou como “imigrante ilegal com antecedentes”, citando uma condenação por entrada irregular, considerada infração federal de menor gravidade.

Documentos indicam que Rivera Ortega compareceu ao escritório de imigração para uma entrevista relacionada ao programa “Parole in Place”, que pode conceder proteção contra deportação a familiares de militares e facilitar a obtenção de residência permanente. O pedido, feito pelo próprio Serrano no ano passado, ainda está em análise.

Segundo o sargento, ele informou às autoridades sobre sua condição militar antes da prisão da esposa, mas não recebeu explicações. “Eles disseram que não podem enviá-la para El Salvador, mas que vão mandá-la para o México”, relatou.

A detenção tem afetado diretamente a saúde do militar, que já enfrenta diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), depressão e lesão cerebral traumática. “Desde que isso aconteceu, durmo apenas duas horas por noite”, afirmou.

Advogados da família entraram com um pedido judicial questionando a legalidade da detenção. Especialistas e organizações de apoio a militares alertam que casos como esse têm se tornado mais frequentes e podem impactar a prontidão das forças armadas, ao gerar insegurança entre os familiares dos soldados.

Historicamente, o ICE evitava prender familiares diretos de militares sem antecedentes graves. No entanto, mudanças recentes ampliaram o alcance das operações, incluindo pessoas com ordens de deportação ou em situação irregular.

Rivera Ortega permanece sob custódia do ICE enquanto aguarda definição sobre seu futuro.

Fonte: CBS