Intérprete de tribunal no Texas relata humilhação após ser detida por imigração nos EUA

Profissional com autorização de trabalho há décadas foi presa em aeroporto e segue em centro de detenção

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

Uma intérprete judicial com mais de 20 anos de atuação no Texas afirma ter sido “humilhada e tratada como criminosa” após ser detida por agentes de imigração dos Estados Unidos em um aeroporto no sul do estado.

Meenu Batra, de 53 anos, foi presa em 17 de março no aeroporto de Harlingen enquanto embarcava para uma viagem de trabalho. Segundo relato da própria intérprete, ela possui autorização válida para trabalhar e um status migratório conhecido como withholding of removal, que impede sua deportação para a Índia por risco de perseguição.

De acordo com seu depoimento, agentes do ICE a abordaram durante o controle de segurança e questionaram sua permanência no país. Mesmo após explicar sua situação legal, ela foi algemada e levada em um veículo sem identificação até um escritório da imigração. Batra afirma ainda que foi forçada a posar para fotos com agentes, o que considerou degradante.

Mãe de quatro filhos adultos cidadãos americanos, Batra vive nos EUA há cerca de 35 anos. Seu advogado questiona o motivo da detenção, destacando que, durante mais de duas décadas, ela manteve contato com autoridades apenas para renovar sua autorização de trabalho, sem qualquer tentativa prévia de deportação.

O governo dos EUA argumenta que a detenção é legal e baseada em uma ordem final de remoção, embora não tenha esclarecido se pretende deportá-la para um terceiro país — possibilidade que preocupa a defesa.

O caso ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias no país e levanta debates sobre o tratamento de imigrantes com status legal parcial. Batra também denunciou condições precárias no centro de detenção, incluindo falta de atendimento médico adequado e ambiente insalubre.

Entidades profissionais e políticos locais criticaram a detenção, destacando a importância do trabalho da intérprete no sistema judicial, especialmente por atuar em idiomas menos comuns.

Fonte: ABC