Mortes sob custódia do ICE disparam em 2026 e podem atingir novo recorde histórico

Agência registra 18 óbitos em quatro meses, incluindo caso recente tratado como suicídio em centro de detenção na Geórgia

Por Lara Barth

A agência não possui acordo formal com a empresa

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) informou a 18ª morte de um detento sob sua custódia em 2026, elevando a preocupação sobre um possível recorde anual caso a tendência se mantenha.

A vítima mais recente é um cubano de 33 anos, identificado como Denny Adan Gonzalez, que morreu na última terça-feira em um centro de detenção na Geórgia. Segundo o ICE, ele foi encontrado inconsciente em sua cela no Stewart Detention Center, unidade operada por uma empresa privada na cidade de Lumpkin. A causa preliminar da morte foi apontada como suicídio, e o caso segue sob investigação.

O número de mortes já registrado nos primeiros quatro meses do ano coloca a agência em ritmo superior ao de 2025, quando foram contabilizados 31 óbitos — o maior total em duas décadas e próximo do recorde histórico de 32 mortes em 2004.

De acordo com o ICE, Gonzalez entrou nos Estados Unidos pela primeira vez em 2019, foi deportado no ano seguinte e retornou ao país de forma irregular em 2022. Ele havia sido preso por autoridades locais na Carolina do Norte em dezembro, sob acusações de agressão e violência doméstica, sendo transferido para custódia federal em janeiro.

O aumento das mortes ocorre em paralelo à intensificação das operações de deportação promovidas pelo governo Donald Trump, que resultaram em níveis recordes de detenção. No início de 2026, a população sob custódia do ICE ultrapassou 70 mil pessoas, número que recuou para cerca de 60 mil após críticas bipartidárias a operações em grandes cidades.

Mesmo considerando o aumento no número de detentos, análises indicam que a taxa de mortalidade também cresceu. Em 2025, foram registradas 5,6 mortes para cada 10 mil pessoas sob custódia — o índice mais alto desde 2020, durante a pandemia de Covid-19.

Entre os mortos neste ano estão um refugiado afegão que colaborou com forças americanas e um adolescente mexicano. Segundo o ICE, muitos dos detentos haviam sido presos anteriormente por crimes como furto, fraude e resistência à prisão.

Relatórios recentes apontam preocupações com as condições nos centros de detenção, incluindo superlotação, falhas no atendimento médico e alimentação inadequada. A agência, no entanto, nega irregularidades e afirma que garante condições seguras e assistência médica adequada aos detentos.

“Estamos comprometidos em assegurar ambientes seguros, protegidos e humanos para todos sob custódia”, declarou o ICE em comunicado.

Fonte: CBS