DHS suspende compra de galpões para detenção de imigrantes nos EUA

Medida é temporária e permite revisão de políticas pelo novo secretário de Segurança Interna

Por Lara Barth

Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS)

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) decidiu suspender temporariamente os planos de adquirir novos galpões para a detenção de imigrantes, segundo autoridades ouvidas pela imprensa. A pausa ocorre em meio à transição de liderança na pasta e deve abrir espaço para uma reavaliação das estratégias adotadas anteriormente.

De acordo com dois altos funcionários do DHS, embora novas compras estejam interrompidas, seguem em andamento os projetos de adaptação de instalações já adquiridas. Ainda não está claro se o novo secretário, Markwayne Mullin, pretende alterar de forma significativa a política de fiscalização migratória e detenção.

A segurança de fronteiras e a imigração continuam sendo prioridades do presidente Donald Trump. No entanto, pesquisas recentes indicam queda na aprovação popular dessas políticas, especialmente após o envio de agentes federais para grandes cidades durante a gestão da ex-secretária Kristi Noem.

Até a primavera de 2026, 11 dos 20 locais previstos para centros de detenção haviam sido adquiridos, segundo levantamento da NBC News. O custo total estimado do plano ultrapassa US$ 38 bilhões.

Um porta-voz do DHS afirmou que a pausa faz parte de um processo comum de transição administrativa: “Como em qualquer mudança de gestão, estamos revisando políticas e propostas da agência”.

Durante a gestão de Noem, o governo chegou a comprar grandes galpões com capacidade para abrigar até 8 mil imigrantes cada. A iniciativa, no entanto, enfrentou resistência de autoridades locais e parlamentares em diferentes estados.

Em Maryland, por exemplo, o estado conseguiu barrar judicialmente a construção de um centro de detenção próximo à cidade de Hagerstown. Já no Mississippi, o senador republicano Roger Wicker criticou a proposta de transformar um galpão industrial em unidade do ICE.

“Sou favorável à fiscalização migratória, mas esse local foi planejado para desenvolvimento econômico e geração de empregos. Não podemos simplesmente transformá-lo em um centro com milhares de detidos”, afirmou.

Durante sua sabatina no Senado, Mullin foi questionado sobre a necessidade de diálogo com comunidades afetadas pelos projetos e afirmou que pretende trabalhar em parceria com lideranças locais.

Além das críticas políticas, especialistas e prestadores de serviço também levantaram preocupações sobre possíveis problemas de segurança nas novas instalações.

Fonte: NBC