Ex-juízas de imigração processam governo Trump após demissões nos EUA
Magistradas acusam administração republicana de discriminação política, racial e de gênero em meio à remoção de mais de 100 juízes de imigração
Duas ex-juízas de imigração entraram com ações judiciais contra o governo do presidente Donald Trump, alegando terem sido removidas de seus cargos por motivos políticos, raciais e de gênero, além de ligações anteriores com organizações de defesa dos direitos de imigrantes.
Uma das ações foi apresentada por Carla Espinoza, ex-juíza de imigração em Chicago, que afirma ter sido dispensada do Departamento de Justiça dos Estados Unidos devido ao seu histórico como advogada de imigração, além de sua raça e sexo.
Segundo a Associação Nacional dos Juízes de Imigração, ao menos 113 magistrados da área foram afastados durante o atual governo Trump. Espinoza havia sido nomeada em agosto de 2023 e deixou o cargo em agosto do ano seguinte.
De acordo com o processo, o Escritório Executivo de Revisão de Imigração (EOIR), órgão ligado ao Departamento de Justiça, começou a emitir memorandos no início de 2025 classificando organizações de apoio a imigrantes como “extremistas” e prometendo combater políticas relacionadas à diversidade, equidade e inclusão, conhecidas pela sigla DEI.
Espinoza sustenta que, após essas mudanças internas, o governo federal passou a demitir de forma desproporcional mulheres, pessoas negras, minorias étnicas e profissionais ligados à defesa de direitos de imigrantes.
Outra ex-juíza, Kyra Lilien, também moveu uma ação semelhante na semana passada. Ela atuava no Tribunal de Imigração de Concord, na Califórnia, após ter sido nomeada em 2023. Segundo o processo, sua função foi encerrada em 2025 sem que houvesse a conversão automática para um cargo permanente — prática que, segundo ela, era comum dentro da agência.
As duas magistradas afirmam que estavam em períodos probatórios temporários, mas argumentam que o Departamento de Justiça tradicionalmente efetivava os juízes após o fim desse estágio inicial.
O processo de Lilien afirma ainda que o governo começou a divulgar memorandos anunciando o fim de iniciativas de diversidade, equidade e inclusão. Segundo os advogados da ex-juíza, os documentos indicavam que o órgão revisou as contratações feitas durante o governo anterior e alegava que pessoas “de determinados perfis” teriam recebido tratamento favorecido.
Os advogados afirmam que os memorandos demonstram hostilidade da gestão contra profissionais ligados aos direitos dos imigrantes, mulheres, minorias étnicas e outros grupos associados às políticas de diversidade.
A ABC News informou que procurou o Departamento de Justiça para comentar o caso, mas ainda não houve resposta oficial.
Fonte: ABC