DeSantis diz que centro de detenção "Alligator Alcatraz" sempre foi temporário
Governador da Flórida afirma que unidade para imigrantes poderá ser desativada caso governo federal encontre alternativas
O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou nesta quinta-feira que o centro de detenção de imigrantes apelidado de “Alligator Alcatraz”, localizado na região dos Everglades, sempre teve caráter temporário.
A declaração foi feita no mesmo dia em que o jornal The New York Times informou que autoridades estaduais e federais discutem, ainda de forma preliminar, o possível fechamento da instalação.
Segundo DeSantis, o objetivo desde o início era desmontar o centro em algum momento.
“Em algum momento, claro, vamos desativá-lo. Esse sempre foi o plano”, declarou o governador republicano durante entrevista coletiva em Lakeland.
O centro foi inaugurado no verão passado e, de acordo com DeSantis, já processou e deportou cerca de 22 mil detidos desde então.
O governador afirmou que a unidade poderá encerrar as operações caso o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) considere que possui estrutura suficiente para acomodar os imigrantes em outros locais.
Embora o DHS não tenha confirmado intenção de fechar o centro, DeSantis disse que o tema passou a ser discutido após a chegada do novo secretário do departamento, Markwayne Mullin, em março.
“Quando entra uma nova liderança, você reavalia essas questões”, afirmou.
Nos últimos meses, detidos no local relataram más condições físicas e dificuldades de acesso a advogados.
Nesta quinta-feira, o Departamento de Segurança Interna negou que esteja pressionando a Flórida para encerrar as atividades do centro.
“A Flórida continua sendo uma parceira valiosa no avanço da agenda migratória do presidente Trump, e o DHS aprecia esse apoio”, afirmou o órgão em comunicado.
O departamento acrescentou que revisa constantemente suas necessidades operacionais relacionadas à detenção de imigrantes.
Segundo autoridades estaduais, a Flórida gasta mais de US$ 1 milhão por dia para manter o centro em funcionamento. DeSantis afirma esperar reembolso do governo federal, mas o estado ainda não recebeu os US$ 608 milhões solicitados.
Um manual interno do centro, tornado público em meio a uma ação judicial sobre o acesso dos detidos a advogados, mostra que os imigrantes são separados de acordo com antecedentes criminais e risco de fuga.
O documento também estabelece regras rígidas de comportamento durante contagens de rotina. Segundo o manual, os detidos não podem falar nem se mover nesses momentos e, caso as normas sejam descumpridas, todos os ocupantes do dormitório podem ser punidos com confinamento temporário.
Fonte: ABC