Grupo suspeito de enviar centenas de brasileiros ilegalmente aos EUA é alvo da Polícia Federal
Operação cumpre mandados em Goiás e no Amapá contra organizações acusadas de promover migração irregular e lavar dinheiro; investigação aponta movimentação de R$ 240 milhões.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (7) uma operação contra grupos suspeitos de promover migração irregular de brasileiros para os Estados Unidos. Ao todo, foram expedidos 11 mandados de busca e apreensão e sete de prisão preventiva em Goiás e no Amapá.
Segundo a PF, as investigações identificaram cinco organizações criminosas autônomas que atuavam de forma semelhante em um esquema transnacional voltado ao envio ilegal de brasileiros aos EUA. Os grupos seriam responsáveis pela entrada irregular de pelo menos 477 pessoas em território norte-americano, número que pode ultrapassar 600 migrantes.
De acordo com os investigadores, as quadrilhas organizavam toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil até a travessia por países da América Central, especialmente México e Panamá, utilizados como rota para chegar à fronteira dos Estados Unidos.
As investigações apontam ainda que as organizações contavam com integrantes em diferentes estados brasileiros e no exterior, encarregados do suporte logístico, da recepção dos migrantes e da movimentação financeira das operações.
A PF afirma que os suspeitos utilizavam empresas de fachada, “laranjas” e esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos obtidos com o esquema.
Em Goiás, foram cumpridos dez mandados de busca e sete prisões preventivas. No Amapá, houve um mandado de busca e apreensão, além da inclusão de dois investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
As autoridades estimam que os cinco grupos investigados tenham movimentado cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023. Segundo a PF, cada migrante pagava aproximadamente US$ 20 mil para ingressar ilegalmente nos Estados Unidos.
Entre os presos está Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada pela investigação como líder de um dos grupos e suspeita de movimentar R$ 45 milhões. Ela foi detida em Goiânia após ter sido mencionada por migrantes interceptados no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, durante uma investigação iniciada em 2022.
Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela. O governador e sua esposa não são investigados. Em nota, Vilela afirmou que o caso não possui relação com ele ou com o governo estadual e destacou que os fatos investigados remontam aos anos 2000.
A defesa de Maria Helena considerou a prisão preventiva desnecessária e informou que aguarda acesso integral aos autos para análise técnica do processo. Os investigados podem responder por promoção de migração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Fonte: G1/CNN