Secretário de Segurança Interna diz que ICE não irá à Copa do Mundo "para prender imigrantes", mas não descarta detenções
Markwayne Mullin afirma que foco da agência será segurança do evento, combate a crimes e ameaças internacionais durante o Mundial nos EUA
O secretário do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Markwayne Mullin, afirmou que o ICE não participará da Copa do Mundo da FIFA deste verão “para fazer operações em massa contra imigrantes”, mas admitiu que detenções poderão acontecer durante o evento caso agentes encontrem pessoas procuradas por crimes graves ou ameaças à segurança nacional.
Em entrevista exclusiva à CBS News, Mullin explicou que o papel principal do ICE durante o torneio será atuar na segurança do evento, especialmente no combate à venda de produtos falsificados, ingressos ilegais e possíveis ameaças internacionais.
“Não estaremos lá para sair prendendo pessoas indiscriminadamente”, afirmou o secretário. “Mas continuaremos procurando os piores criminosos.”
A Copa do Mundo será realizada em 11 cidades dos Estados Unidos e deve receber mais de um milhão de turistas estrangeiros, além de dezenas de seleções internacionais. O DHS e suas agências, incluindo o ICE, terão participação direta no esquema de segurança do torneio.
Mullin destacou que o ICE já atua tradicionalmente em grandes eventos esportivos, como o Super Bowl, principalmente em investigações relacionadas a falsificação de produtos e crimes transnacionais.
Segundo ele, agentes também poderão identificar pessoas procuradas internacionalmente por crimes como homicídio, tráfico de drogas ou suspeitas de ligação com terrorismo.
“Talvez encontremos indivíduos que não deveriam estar no país porque estão em listas de vigilância terrorista”, declarou.
Apesar de insistir que o foco principal não será fiscalização migratória em massa, o secretário não descartou operações pontuais de imigração durante o campeonato.
“O ICE sempre faz aplicação das leis de imigração. Isso nunca vai parar. Mas esse não é o único objetivo da nossa presença”, disse.
Durante a entrevista, Mullin também confirmou mudanças na liderança do ICE. O atual diretor interino, Todd Lyons, deixará o governo federal no fim do mês, e David Venturella assumirá temporariamente o comando da agência enquanto o DHS busca um diretor permanente.
O secretário ainda comentou os impactos do recente shutdown do governo americano, que durou 76 dias e foi o mais longo da história dos Estados Unidos. Segundo ele, o período comprometeu operações importantes do DHS, afetando desde a TSA — responsável pela segurança nos aeroportos — até a Guarda Costeira.
Mullin afirmou que o departamento perdeu capacidade de atuar de forma preventiva durante a paralisação.
“Chegou um momento em que deixamos de conseguir ser proativos. Tivemos que escolher quais missões priorizar”, declarou.
Ele também alertou para os riscos à segurança nacional caso ocorra um novo shutdown, destacando que o DHS possui 22 agências ligadas diretamente à proteção do país.
Outro tema abordado foi o surto de hantavírus associado a um cruzeiro de bandeira holandesa. Mullin disse que o governo acompanha o caso diariamente em conjunto com autoridades de saúde, mas tentou tranquilizar a população.
“Isso não é COVID. Não é nem de perto uma situação parecida”, afirmou.
Com o início da temporada de furacões marcado para 1º de junho, o secretário também falou sobre o papel da FEMA, agência federal de gerenciamento de emergências. Embora o governo Trump tenha discutido reduzir a estrutura da FEMA, Mullin garantiu que a agência continuará atuando em desastres naturais.
Segundo ele, porém, os estados precisarão assumir mais responsabilidades nos processos de preparação e recuperação.
“O governo federal não está aqui para resolver todos os problemas dos estados”, afirmou. “Estamos aqui para ajudar as pessoas no pior dia de suas vidas.”
Mullin elogiou a atuação da Flórida na gestão de desastres naturais e disse que o estado pode servir de modelo para outras regiões do país.
Fonte: CBS