Agente do ICE é acusado de atirar contra imigrante venezuelano em Minneapolis

Promotores afirmam que policial federal disparou contra casa sem ameaça iminente; vítima foi atingida na perna

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

Promotores do estado de Minnesota anunciaram nesta segunda-feira acusações criminais contra um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) pelo disparo que feriu um imigrante venezuelano em Minneapolis no início deste ano.

O agente federal Christian Castro foi acusado de quatro crimes de agressão em segundo grau e um de falsa comunicação de crime pelo caso ocorrido em 14 de janeiro, segundo o gabinete da promotoria do condado de Hennepin.

Durante coletiva de imprensa, a promotora Mary Moriarty afirmou que Castro disparou sua arma de serviço contra a porta da frente de uma residência mesmo sabendo que pessoas haviam acabado de entrar no local e não representavam ameaça.

“Castro atirou na porta da casa sabendo que havia pessoas lá dentro que não ofereciam qualquer risco a ele ou a terceiros”, declarou Moriarty.

Segundo a promotoria, o disparo atingiu Julio Sosa-Celis na perna, atravessou um armário e acabou alojado na parede do quarto de uma criança. Moriarty também negou versões apresentadas anteriormente por autoridades federais de que o agente teria sido atacado com uma pá ou vassoura antes do tiro.

“Não existe imunidade absoluta para agentes federais que cometem crimes neste estado ou em qualquer outro”, afirmou a promotora. “Houve um crime violento naquela noite, mas foi cometido pelo senhor Castro.”

Em resposta, um porta-voz do ICE classificou as acusações como uma “manobra política”. Apesar disso, confirmou que os agentes envolvidos também estão sendo investigados pelo gabinete do procurador federal por supostamente “mentirem sob juramento” e que poderão enfrentar medidas disciplinares, incluindo demissão e possível processo criminal.

De acordo com a denúncia criminal, a confusão começou quando Castro e outros agentes do ICE perseguiram um entregador da DoorDash até sua residência.

Imagens de segurança mostram que Castro derrubou o motorista após ele sair do carro e correr em direção à casa onde morava com Sosa-Celis. Outro morador conseguiu separar os dois homens e entrar na residência com o entregador.

Ainda segundo a investigação, vídeos mostram que Castro disparou um único tiro através da porta fechada da casa, atingindo Sosa-Celis na perna direita.

No momento do disparo, quatro adultos e duas crianças estavam dentro da residência. Após o tiro, agentes do ICE usaram gás lacrimogêneo, invadiram a casa e detiveram os ocupantes.

A Justiça fixou a fiança de Christian Castro em US$ 200 mil.

Fonte: ABC