Mais de 145 mil crianças nos EUA foram separadas dos pais após ações do ICE no governo Trump, diz estudo

Levantamento aponta que milhares de crianças brasileiras também foram afetadas por prisões e deportações de imigrantes

Por Lara Barth

O impacto econômico das novas leis de imigração e como o imigrante pode se proteger financeiramente

Mais de 145 mil crianças americanas tiveram pelo menos um dos pais detido por autoridades de imigração desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, segundo um novo estudo divulgado pelo Brookings Institution, um dos principais centros de pesquisa dos Estados Unidos.

O relatório estima que cerca de 146,6 mil crianças cidadãs americanas foram impactadas pelas operações de deportação em massa conduzidas pelo ICE (Agência de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA) desde janeiro. Destas, mais de 22 mil perderam temporariamente o convívio com todos os pais que viviam na mesma casa.

O estudo mostra ainda que:

* cerca de 36% das crianças afetadas têm menos de 6 anos;
* mais da metade possui pais de origem mexicana;
* famílias da Guatemala e Honduras representam mais de 25% dos casos.

Segundo o levantamento, Texas e Washington D.C. concentram algumas das maiores taxas de crianças afetadas pelas detenções migratórias.

O Brookings afirma que os números oficiais divulgados pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA provavelmente estão subestimados, já que muitos imigrantes evitam informar às autoridades que têm filhos por medo das consequências.

O estudo estima que:

* aproximadamente 13 milhões de adultos vivem atualmente nos EUA sem documentação ou com proteção migratória limitada;
* mais de 4,6 milhões de crianças americanas vivem com pelo menos um pai vulnerável à deportação;
* cerca de 2,5 milhões podem perder temporariamente o convívio com todos os pais da residência.

Brasileiros entre os afetados

De acordo com informações obtidas pelo UOL com base nos dados do Brookings Institution, entre 2 mil e 3 mil crianças brasileiras tiveram os pais presos pelo ICE durante o segundo governo Trump.

A estimativa não aparece oficialmente nos registros do governo americano, mas foi calculada a partir da proporção de brasileiros entre os imigrantes detidos analisados no estudo.

Segundo a reportagem, apenas uma minoria dessas crianças conseguiu ser reunida novamente com os pais. A maior parte acabou separada de um ou dos dois genitores após as detenções e deportações.

Organizações de direitos civis e defesa de imigrantes criticam duramente a política migratória do governo Trump, alegando que as operações têm provocado traumas familiares e impactos psicológicos profundos em crianças pequenas.

Já o Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou que o ICE “não separa famílias” e declarou que os pais detidos podem escolher se desejam ser deportados junto com os filhos ou indicar outro responsável para cuidar das crianças no país.

Entidades de direitos humanos, porém, contestam essa versão e afirmam que muitos imigrantes deportados não tiveram oportunidade adequada de decidir sobre o destino dos filhos antes da remoção dos Estados Unidos.

Fonte: The Guardian/UOL