Protestos contra centro do ICE em Nova Jersey aumentam após governadora ser barrada em visita

Confrontos, spray de pimenta e denúncias de más condições marcaram atos em frente ao Delaney Hall

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

Os protestos contra o centro de detenção de imigrantes Delaney Hall, em Newark, Nova Jersey, aumentaram nesta segunda-feira (26) após a governadora do estado, Mikie Sherrill, ser impedida de entrar na instalação administrada pelo ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos.

Ao longo do dia, manifestantes bloquearam entradas do local e entraram em confronto com agentes federais equipados com roupas de choque.

Segundo autoridades, alguns protestantes lançaram objetos contra os agentes, que responderam usando spray de pimenta para dispersar a multidão.

Manifestantes tentaram impedir transferências de detidos

Os protestos se intensificaram quando agentes tentaram retirar um veículo do complexo.

Manifestantes formaram correntes humanas para bloquear a saída e chegaram a mover barreiras de concreto e barricadas para fechar outros acessos ao centro.

Em alguns momentos, participantes entraram em caçambas de lixo em busca de materiais para reforçar os bloqueios.

O senador democrata Andy Kim tentou reduzir a tensão no local e pediu que os manifestantes recuassem diante dos agentes.

Governadora denuncia falta de transparência

A governadora Mikie Sherrill participou do protesto durante a manhã, mas afirmou que teve seu pedido oficial de acesso ao centro negado pelo governo federal.

“Isso levanta sérias questões sobre o que eles estão tentando esconder da população”, declarou.

Sherrill voltou a criticar centros privados de detenção de imigrantes e pediu o fechamento do Delaney Hall.

Familiares denunciam maus-tratos

Desde sexta-feira, familiares de imigrantes detidos acusam o centro de manter pessoas em:

- condições insalubres;
- falta de atendimento médico adequado;
- alimentação insuficiente;
- tratamento desumano.

Uma das manifestantes, Gabriela Soto, grávida do terceiro filho, afirma que o marido foi retirado do local à força após ela participar dos protestos.

“Disseram que ele seria libertado, mas eu vi ele sendo jogado dentro de uma van”, afirmou.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) negou irregularidades e disse que o homem seria apenas transferido para outro centro de detenção.

DHS acusa governadora de “manobra política”

Em nota, o DHS classificou a visita da governadora como uma “manobra política no Memorial Day”.

O órgão afirmou ainda que:

- os detidos recebem três refeições diárias;
- têm acesso a água, roupas e higiene;
- contam com serviços médicos, odontológicos e psicológicos;
- possuem acesso a telefones para contato com familiares e advogados.

Já parlamentares democratas que visitaram o local contestaram as informações do governo federal.

Greve de fome começou na sexta-feira

Segundo os manifestantes, cerca de 300 detidos iniciaram uma greve de fome na sexta-feira em protesto contra as condições dentro do centro.

Desde então, políticos democratas de Nova Jersey, incluindo Andy Kim, Robert Menendez Jr. e outros congressistas, passaram a acompanhar a situação no local.

Fonte: CBS