Ex-superintendente escolar nos EUA pode ser deportado após admitir falsa cidadania americana
Educador que comandou maior distrito escolar de Iowa também foi condenado por posse ilegal de armas
O ex-superintendente do maior distrito escolar de Iowa, nos Estados Unidos, deve descobrir nesta sexta-feira (30) qual será sua sentença após admitir ter mentido sobre sua cidadania americana e possuir armas ilegalmente.
Ian Roberts, natural da Guiana, na América do Sul, se declarou culpado em janeiro pelas acusações federais. Juntos, os crimes podem resultar em até 20 anos de prisão.
Os advogados do educador pedem que ele cumpra pena em liberdade condicional para facilitar sua deportação dos Estados Unidos. Já os promotores federais defendem uma sentença de aproximadamente três anos de prisão.
Segundo a investigação, Roberts trabalhou por quase duas décadas no sistema educacional americano sem autorização legal de trabalho.
Os promotores afirmam que ele apresentou um cartão falso do Social Security ao assumir o cargo de superintendente das escolas públicas de Des Moines, distrito que atende cerca de 30 mil estudantes.
O caso ganhou repercussão nacional após Roberts ser preso por agentes do ICE em setembro do ano passado.
De acordo com as autoridades, ele tentou fugir durante a abordagem policial antes de ser localizado por policiais estaduais.
Dentro do veículo oficial utilizado pelo educador, investigadores encontraram:
- uma arma carregada escondida sob o banco,
- cerca de US$ 3 mil em dinheiro,
- além de outras três armas apreendidas na residência dele.
A defesa afirma que Roberts dedicou a vida ao serviço público e nunca representou ameaça à segurança da população.
Os advogados argumentam ainda que ele tentou regularizar sua situação migratória diversas vezes após se casar com uma cidadã americana, mas teve o pedido negado por não relatar uma prisão anterior — embora as acusações daquele caso tenham sido retiradas.
“Esse erro acabou perseguindo Roberts por mais de 20 anos e destruiu sua carreira”, escreveram os advogados no processo.
Diversas cartas de apoio também foram enviadas ao tribunal por colegas, funcionários e membros da comunidade escolar destacando o impacto positivo do educador na educação pública.
A promotoria, porém, afirma que Roberts construiu uma imagem pública baseada em liderança e integridade enquanto ocultava deliberadamente sua situação migratória.
Após cumprir eventual pena, Roberts poderá ser deportado para a Guiana, país onde, segundo a defesa, ele não vive há cerca de 30 anos.
Fonte: ABC