Governo Trump ameaça retirar agentes do aeroporto de Newark por protestos em centro de detenção do ICE

Secretário de Segurança Interna diz que medida pode afetar voos internacionais enquanto manifestações em Nova Jersey entram no sétimo dia

Por Lara Barth

A agência não possui acordo formal com a empresa

O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, voltou a ameaçar retirar agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) do Aeroporto Internacional Newark Liberty, em Nova Jersey, para reforçar a segurança em frente ao centro de detenção Delaney Hall, alvo de protestos contra as condições do local.

As manifestações, que chegaram ao sétimo dia consecutivo, acontecem diante da unidade administrada pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega). Manifestantes denunciam más condições de saúde e infraestrutura para cerca de 300 detentos. O Departamento de Segurança Interna (DHS) nega as acusações.

Durante entrevista ao programa “Fox & Friends”, Mullin afirmou que poderá deslocar agentes responsáveis pelo processamento de passageiros internacionais para auxiliar policiais federais que atuam na contenção dos protestos. Segundo ele, isso pode causar atrasos em voos internacionais e no transporte de cargas.

“Talvez isso afete voos internacionais entrando e saindo do aeroporto porque vou precisar retirar agentes da alfândega para ajudar nossos agentes do ICE”, declarou.

O secretário reforçou que, caso a situação não mude rapidamente, a decisão poderá ser tomada em breve. “Não vamos suspender os voos, mas não teremos agentes suficientes para processá-los”, disse.

Os protestos têm registrado confrontos entre manifestantes e agentes federais. Segundo relatos, policiais utilizaram spray de pimenta e cassetetes após tentativas de bloqueio de veículos na entrada do centro de detenção.

A proposta de Mullin também enfrenta resistência de entidades ligadas ao setor de turismo e transporte. A associação U.S. Travel afirmou que a retirada de agentes de aeroportos teria “consequências devastadoras” para a indústria do turismo e para cidades que dependem de visitantes internacionais.

Até integrantes do governo Trump demonstraram preocupação com a ideia. Durante audiência no Congresso, o secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou que não seria adequado interromper operações aéreas por motivos políticos.

“Não deveríamos prejudicar o transporte aéreo em estados que não concordam com nossas políticas”, afirmou Duffy.

Nos últimos dias, parlamentares democratas, incluindo o senador Cory Booker, visitaram o centro de detenção e criticaram as condições encontradas no local. Booker afirmou ter ouvido relatos preocupantes, principalmente de mulheres detidas, sobre falta de atendimento médico adequado.

Mullin rejeitou as denúncias e minimizou informações sobre uma suposta greve de fome dentro da unidade. Segundo ele, apenas “alguns indivíduos” estariam se recusando a comer porque queriam “comida típica de sua origem étnica”.

“Eles podem voltar para seus países e comer o que quiserem”, afirmou o secretário a jornalistas.

Fonte: ABC