Relatório aponta desperdício milionário e condições insalubres em centro de detenção do ICE no Texas

Auditoria federal revela mortes, falhas médicas, arma desaparecida e problemas sanitários em instalação dentro da base militar de Fort Bliss

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

Um relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do governo dos Estados Unidos, revelou uma série de problemas graves no maior centro de detenção de imigrantes do país, localizado dentro da base militar de Fort Bliss, no Texas.

Segundo a investigação, a unidade conhecida como Camp East Montana apresentou condições insalubres, falhas médicas, desperdício de milhões de dólares em recursos públicos e até o desaparecimento de uma arma carregada.

O centro, administrado pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas), tem capacidade para abrigar até 5 mil detentos e foi inaugurado durante a atual ofensiva migratória do governo Trump.

Mortes e investigação criminal

Entre agosto de 2025 e março de 2026, o relatório aponta diversos incidentes graves dentro da instalação.

Um dos casos envolve a morte de um detento por asfixia em janeiro deste ano. Segundo o laudo da autópsia citado pelo GAO, a morte foi classificada como homicídio e está sob investigação criminal.

Outro imigrante morreu por suicídio no mesmo mês após ter sido deixado sem supervisão por períodos superiores a 15 minutos, contrariando protocolos de segurança.

Arma desaparecida dentro da unidade

O relatório também revelou que um segurança perdeu uma arma carregada dentro do centro de detenção em janeiro. Até março, o armamento ainda não havia sido localizado.

Além disso, detentos com doenças crônicas como HIV e diabetes não receberam acompanhamento adequado, segundo os auditores federais.

Governo desperdiçou milhões, aponta auditoria

O GAO atribuiu grande parte dos problemas a um processo acelerado de construção e contratação da instalação.

Segundo o relatório, o Exército americano firmou inicialmente um contrato de até US$ 1,2 bilhão com uma empresa sem experiência em serviços de detenção.

A auditoria aponta ainda que falhas no contrato impediram ajustes de custos quando a unidade operava abaixo da capacidade.

Como consequência:

- entre 1º e 15 de agosto de 2025, quando não havia detentos no local, o governo gastou cerca de US$ 11,5 milhões com refeições, transporte, segurança e serviços médicos desnecessários;
- outros US$ 423 mil foram pagos por refeições não utilizadas até setembro de 2025;
- após o ICE assumir o contrato, mais US$ 7,1 milhões foram gastos indevidamente com alimentação até março de 2026.

Condições insalubres e limpeza feita pelos próprios detentos

A investigação revelou ainda problemas sanitários graves dentro dos dormitórios.

Segundo o relatório, em determinado período a empresa contratada deixou de realizar limpezas regulares, o que levou alguns agentes de segurança a oferecerem cookies aos detentos em troca da limpeza dos próprios dormitórios.

O contrato original também não incluía um plano formal de monitoramento de qualidade, dificultando a fiscalização dos serviços prestados.

Governo promete mudanças

Em nota, o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que o Camp East Montana está passando por melhorias e que um novo fornecedor foi contratado.

Segundo o governo, a nova empresa permitirá ampliar os serviços médicos no local, aumentar o número de funcionários e implementar um plano mais rigoroso de controle de qualidade.

O GAO recomendou que o ICE utilize contratos mais flexíveis, garanta padrões mínimos em futuras instalações e revise os erros cometidos no projeto de Fort Bliss.

O Departamento de Defesa afirmou que irá implementar as recomendações, embora tenha contestado partes do relatório, alegando que o GAO se baseou excessivamente em informações fornecidas pelo ICE.

Fonte: CBS