Brasileiro com doença rara é libertado após quase cinco meses detido em centro do ICE nos EUA
Emanuel Rodrigues afirma que ficou isolado, sem tratamento adequado e impedido de usar muletas dentro do controverso centro de detenção Delaney Hall
O brasileiro Emanuel Rodrigues, imigrante detido pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA), foi libertado nesta quinta-feira após passar quase cinco meses em isolamento dentro do centro de detenção Delaney Hall, em Nova Jersey.
Emanuel havia sido preso em 22 de dezembro de 2025 e sofria de rabdomiólise, uma condição rara e potencialmente fatal que provoca a degradação das fibras musculares e pode comprometer severamente a mobilidade.
Por causa da doença, ele não consegue andar sem auxílio.
Brasileiro relata isolamento e falta de cuidados médicos
Segundo Emanuel, durante o período em que esteve detido, agentes chegaram a impedir o uso de suas muletas, o que teria provocado uma queda.
Ele também denunciou condições desumanas dentro da unidade, incluindo:
- alimentação estragada;
- presença de vermes na comida;
- falta de tratamento médico adequado;
- longos períodos de isolamento.
As denúncias fazem parte de uma série de relatos feitos por detentos do Delaney Hall, que vêm sendo alvo de críticas de organizações de direitos humanos e parlamentares democratas.
Emanuel afirmou ainda que não teve autorização para conversar com congressistas durante uma inspeção oficial realizada semanas atrás no centro de detenção.
Caso ganhou repercussão após denúncia pública
A situação do brasileiro ganhou visibilidade após reportagens e pressão de grupos de defesa dos imigrantes.
Segundo Emanuel, após a divulgação do caso, o deputado americano Rob Menendez visitou pessoalmente o centro para acompanhar sua situação.
“Depois de encontrar Emanuel várias vezes, confrontar o ICE sobre seu caso e ajudar a tornar sua história pública, ele finalmente foi libertado”, declarou o congressista em nota.
Menendez também afirmou que continuará pressionando pelo fechamento da unidade.
ICE nega isolamento
Em declarações anteriores, um porta-voz do ICE afirmou que Emanuel “não estava em isolamento”, mas sim em “observação médica” para garantir sua segurança e saúde.
A agência também declarou que todos os detentos recebem atendimento médico completo e acesso a cuidados emergenciais 24 horas por dia.
Emanuel contestou a versão.
“O que eles dizem não é verdade”, afirmou o brasileiro semanas antes da libertação.
Encontro emocionante marcou saída do centro
Ao deixar o Delaney Hall em uma cadeira de rodas, Emanuel segurava uma Bíblia e um terço branco no pescoço.
“Deus é bom”, repetia emocionado enquanto era recebido pela esposa, Anna Lucas, ativistas e líderes religiosos.
Segundo relatos no local, Anna caiu de joelhos ao reencontrar o marido após meses de detenção.
Emanuel afirmou que o ICE tentava esconder sua condição de saúde para evitar repercussão negativa.
“O ICE não queria que as pessoas soubessem que havia uma pessoa doente como eu lá dentro”, declarou.
Durante o período em que esteve isolado, o brasileiro fez desenhos para retratar o sentimento vivido na prisão.
“É o fundo de um poço”, explicou ao mostrar uma ilustração feita por ele. “Era assim que eu me sentia lá dentro.”
Fonte: NJ