Senador acusa governo Trump de preparar deportação de mais de 500 crianças imigrantes desacompanhadas

Ron Wyden afirma que Departamento de Saúde estaria criando um novo mecanismo para acelerar remoções; governo nega que exista plano para deportar as crianças

Por Lara Barth

Governo inaugura nova fase do plano de deportações em massa

O senador democrata Ron Wyden, do estado de Oregon, acusou o governo do presidente Donald Trump de preparar um plano para deportar mais de 500 crianças imigrantes desacompanhadas que atualmente estão sob custódia do governo federal.

Em uma carta enviada ao secretário de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert F. Kennedy Jr., Wyden afirma ter recebido "informações confiáveis" de que a pasta estaria elaborando um mecanismo administrativo inédito para acelerar a remoção dessas crianças dos Estados Unidos.

Segundo o senador, a iniciativa não teria respaldo na legislação e colocaria em risco os direitos legais dos menores.

Crianças estão sob custódia federal

De acordo com a carta, os mais de 500 menores estão sob responsabilidade do Office of Refugee Resettlement (ORR), órgão responsável pelo acolhimento de crianças migrantes desacompanhadas.

Wyden afirma que todos permanecem sob custódia federal há pelo menos 180 dias e foram classificados como Categoria 4, grupo formado por crianças que não possuem um patrocinador ou familiar previamente aprovado para recebê-las nos Estados Unidos.

Grande parte delas vive em lares temporários administrados pelo governo.

Segundo o senador, a maioria também conta com representação jurídica em seus processos de imigração.

Críticas ao suposto plano

Wyden afirma que o governo estaria preparando deportações sem a participação dos advogados responsáveis pelos casos, o que, segundo ele, representaria uma grave violação do direito ao devido processo legal.

O senador também alertou que muitas dessas crianças poderiam ser enviadas de volta para países considerados de alto risco, como **Guatemala, Honduras, El Salvador** e **Afeganistão**.

Na carta, Wyden classificou a suposta iniciativa como uma "falha institucional grave" e acusou o governo de utilizar justamente a agência encarregada da proteção dessas crianças para promover suas deportações.

Ele também argumenta que o cronograma do suposto plano coincide com um prazo estabelecido para a conclusão de processos migratórios envolvendo menores, sugerindo que o governo estaria tentando antecipar as decisões da Justiça.

Governo nega acusações

Em nota enviada à imprensa, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos negou que exista qualquer plano para deportar as crianças.

Segundo um porta-voz da pasta, as acusações representam uma tentativa de gerar alarme injustificado.

O governo afirmou ainda que a prioridade da administração Trump é identificar os pais ou responsáveis legais dos menores e garantir que eles sejam encaminhados apenas para patrocinadores devidamente avaliados.

A nota também criticou a gestão anterior, afirmando que milhares de crianças foram liberadas sem uma verificação adequada dos responsáveis, aumentando o risco de abuso, exploração e tráfico de pessoas.

Até o momento, o governo americano não anunciou oficialmente qualquer programa de deportação envolvendo crianças sob custódia do ORR.

Fonte: The Guardian