Governo Trump vai abrir centro para acelerar deportação de famílias e crianças imigrantes nos EUA

Nova instalação da ICE, na Louisiana, terá capacidade para 528 pessoas e ficará ao lado do maior centro de voos de deportação do país

Por Lara Barth

Iniciativa faz parte de meta de deportação de Trump

O governo do presidente Donald Trump pretende inaugurar um novo centro de permanência temporária para famílias de imigrantes e crianças desacompanhadas que aguardam deportação dos Estados Unidos. A unidade será construída em Alexandria, no estado da Louisiana, ao lado do aeroporto que atualmente concentra o maior número de voos de deportação do país.

Com capacidade para 528 pessoas, a instalação será administrada pela Agência de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE), que a define como uma "área de preparação" (staging area), e não como um centro de detenção. Segundo a agência, os migrantes permanecerão no local por, no máximo, 72 horas antes do embarque.

A expectativa do governo é reduzir dificuldades logísticas enfrentadas durante processos de deportação, especialmente no transporte de crianças e famílias que atualmente estão distribuídas em abrigos e lares temporários em diferentes estados.

Especialistas temem permanência prolongada de crianças

Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes, no entanto, manifestaram preocupação com o novo modelo.

Segundo Leecia Welch, diretora jurídica da organização Children's Rights, existe o risco de que crianças permaneçam no local por semanas ou até meses, como ocorreu em outras instalações federais no passado.

"É uma expansão do sistema de deportação de uma forma que ainda não vimos antes. Há muitas coisas que podem dar errado com essa instalação", afirmou.

Pela legislação americana, crianças desacompanhadas que chegam ao país sem pais ou parentes próximos devem ser encaminhadas rapidamente para abrigos licenciados e programas de acolhimento administrados pelo Office of Refugee Resettlement (ORR), ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

No caso da nova unidade da Louisiana, porém, o ORR não participará da operação.

Centro será administrado por braço social de empresa privada

A gestão ficará a cargo da LaSalle Family Foundation, braço sem fins lucrativos da empresa privada LaSalle Corrections, que administra presídios e centros de detenção para imigrantes em diversos estados do sul dos EUA.

Segundo Ralph Hennessy, diretor da England Airpark Authority, responsável pela área onde o centro está sendo construído, a instalação poderá entrar em funcionamento já em agosto.

O contrato entre a ICE e a empresa foi firmado no fim do mês passado.

Documentos obtidos pela agência Associated Press indicam que o centro funcionará como uma unidade de permanência temporária para pessoas em processo de deportação.

Local fica ao lado do maior centro de voos de deportação dos EUA

A escolha de Alexandria tem caráter estratégico.

Dados do projeto ICE Flight Monitor, da organização Human Rights First, mostram que mais de 4.400 voos ligados à imigração passaram pelo Aeroporto Internacional de Alexandria ao longo de 2025, tornando-o o principal centro de operações de deportação do país.

Segundo documentos internos da ICE, famílias e crianças permanecerão sob custódia legal da agência durante todo o período e só poderão deixar a instalação mediante autorização oficial.

A ICE também determinou que os contratados não utilizem termos como "presos", "detentos" ou "encarcerados" para se referir aos migrantes. Além disso, o transporte não deverá utilizar grades ou gaiolas, e as famílias poderão vestir suas próprias roupas durante a permanência.

Empresa já enfrenta críticas

A LaSalle Corrections já administra diversos centros de detenção de imigrantes no sul dos Estados Unidos, incluindo uma unidade localizada dentro do complexo penitenciário de segurança máxima de Angola, na Louisiana.

Nos últimos meses, a empresa voltou ao centro das atenções após a morte de dois detentos em uma de suas instalações administradas para a ICE desde abril.

Além disso, em junho, um relatório do Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna apontou violações relacionadas à segurança ambiental, alimentação, uso da força, atendimento médico e outros padrões operacionais em outro centro administrado pela empresa, o Winn Correctional Center.

Organizações de direitos humanos afirmam que acompanharão de perto a operação da nova unidade, especialmente devido ao impacto que ela poderá ter sobre famílias e crianças em processo de deportação.

Fonte: ABC