México pede investigação criminal por mortes de 17 mexicanos sob custódia do ICE nos EUA
Governo de Claudia Sheinbaum afirma que recorrerá à Justiça americana após a morte de um trabalhador mexicano durante uma operação do ICE em Houston.
O governo do México anunciou nesta quinta-feira (10) que solicitará a abertura de processos criminais relacionados à morte de 17 cidadãos mexicanos que morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ou durante operações de fiscalização migratória realizadas pelo governo do presidente Donald Trump.
O anúncio foi feito pelo vice-chanceler mexicano Roberto Velasco, que informou que o pedido será encaminhado aos promotores estaduais e ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Embora a solicitação não tenha efeito legal automático, o objetivo é que as autoridades americanas avaliem a responsabilização criminal dos envolvidos.
Além disso, o governo mexicano pretende mover ações civis contra as empresas responsáveis pela administração dos centros de detenção, alegando violações de direitos humanos nessas instalações.
Caso em Houston motivou mudança de postura
A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que o México decidiu intensificar sua resposta após a morte do mexicano Lorenzo Salgado Araujo, baleado por agentes do ICE durante uma operação realizada nesta semana em Houston, no Texas.
"Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, porque não podemos permanecer em silêncio diante da morte de mexicanos cujo único crime foi trabalhar honestamente nos Estados Unidos", declarou Sheinbaum.
Segundo familiares, Salgado Araujo vivia nos Estados Unidos havia décadas e transportava uma equipe de trabalhadores para uma obra quando foi atingido por disparos. A família pede uma investigação completa sobre o caso.
DHS admite que agentes procuravam outra pessoa
Em nota divulgada na quinta-feira, o Departamento de Segurança Interna (DHS) confirmou que os agentes do ICE estavam, na verdade, procurando outro suspeito.
Segundo o órgão, a equipe realizava vigilância após receber informações sobre um alvo da investigação e decidiu abordar uma van branca porque o motorista se parecia com a pessoa procurada.
Inicialmente, o DHS havia informado que Lorenzo Salgado Araujo era o alvo da operação e alegou que ele estava em situação migratória irregular. O departamento também afirmou que o motorista desobedeceu ordens dos agentes e tentou atingir um policial com o veículo, levando um dos agentes a atirar em legítima defesa.
De acordo com o Corpo de Bombeiros de Houston, Salgado Araujo foi baleado no abdômen e, em seguida, seu veículo colidiu com uma viatura do ICE. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Relação entre os países fica mais tensa
Segundo o governo mexicano, 14 cidadãos mexicanos morreram sob custódia do ICE e outros três durante operações da agência.
Dados analisados pela CBS News apontam que 31 pessoas morreram sob custódia do ICE em 2025, o maior número registrado em duas décadas.
Até agora, o México vinha cobrando investigações por meio de notas diplomáticas, prestando apoio às famílias das vítimas e levando denúncias à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
A nova iniciativa representa uma escalada na pressão sobre Washington e ocorre em um momento de relações delicadas entre os dois países. Embora o governo de Claudia Sheinbaum mantenha negociações com os Estados Unidos sobre comércio e cooperação em segurança, a presidente tem adotado um discurso cada vez mais firme em defesa dos direitos dos mexicanos afetados pelas políticas de imigração do governo Trump.
Fonte: CBS