Alasca envia mais de 3 mil cartas para eleitores confirmarem cidadania antes das eleições

Estado afirma que medida busca manter o cadastro eleitoral atualizado, mas número incomum de notificações gera questionamentos de parlamentares

Por Lara Barth

Naturalizados estão perdendo a confiança na estabilidade da cidadania americana

O estado do Alasca enviou 3.048 cartas a eleitores solicitando que confirmem sua cidadania americana antes das eleições primárias marcadas para 18 de agosto. A medida faz parte da revisão periódica do cadastro eleitoral, mas chamou atenção pelo número incomum de notificações emitidas neste ano.

Segundo a diretora da Divisão de Eleições do Alasca, Carol Beecher, o procedimento normalmente resulta em cerca de 200 casos para verificação. Desta vez, porém, mais de 3 mil eleitores foram identificados após um cruzamento de dados entre o cadastro eleitoral e informações do Departamento de Veículos Motorizados (DMV).

Beecher afirmou que a discrepância pode ter sido causada pela utilização de dados antigos.

"Parece que muitos registros antigos foram incluídos de alguma forma durante o processo", disse a diretora em audiência no Legislativo estadual.

As cartas permitem que os eleitores confirmem a cidadania por carta, telefone ou e-mail. Não é exigido o envio de documentos comprobatórios.

Enquanto a situação não é esclarecida, os destinatários passam para uma lista de eleitores inativos. Mesmo assim, caso não respondam à notificação, ainda poderão votar por meio de uma cédula especial, na qual deverão declarar que atendem aos requisitos legais para participar da eleição.

Segundo a Divisão de Eleições, quem confirmar ser cidadão americano será imediatamente reintegrado à lista de eleitores ativos.

A medida gerou preocupação entre parlamentares estaduais. O deputado democrata Andrew Gray afirmou que as pessoas que procuraram seu gabinete após receberem a carta são cidadãos americanos. Já a deputada Ashley Carrick questionou se o aumento das notificações estaria relacionado ao compartilhamento de dados eleitorais do estado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Beecher negou qualquer ligação entre os dois assuntos e afirmou que as informações utilizadas vieram exclusivamente do DMV.

A diretora explicou que uma das hipóteses é que muitos eleitores tenham obtido carteira de motorista quando ainda não eram cidadãos americanos e, posteriormente, tenham se naturalizado, sem atualizar essa informação junto ao Departamento de Veículos Motorizados.

Autoridades estaduais recomendam que os moradores mantenham seus dados atualizados no DMV para evitar novas notificações em futuras revisões do cadastro eleitoral.

O caso ocorre em meio ao debate nacional sobre a participação de não cidadãos nas eleições americanas. Embora estudos e processos judiciais indiquem que esse tipo de fraude é extremamente raro, o tema voltou ao centro das discussões políticas nos Estados Unidos nos últimos anos.

Fonte: ABC