Vídeos e mensagens indicam uso de termos racistas por agentes do ICE durante operações em Los Angeles

Documentos apresentados pela ACLU à Justiça acusam agentes de imigração de realizar abordagens com base em perfil racial durante ações na Califórnia.

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

Vídeos de câmeras corporais e mensagens de texto apresentados à Justiça pela União Americana pelas Liberdades Civis do Sul da Califórnia (ACLU SoCal) indicam que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) utilizaram termos pejorativos para se referir a latinos durante operações de fiscalização em Los Angeles.

As evidências fazem parte de uma ação judicial que acusa agentes federais de adotarem abordagens baseadas em perfil racial durante operações de imigração realizadas no contexto da política de combate à imigração irregular do governo Trump.

Segundo os documentos, um dos agentes é ouvido em um vídeo utilizando o termo "tonks", uma expressão considerada ofensiva e que, de acordo com a ACLU, é usada por alguns agentes para se referir a imigrantes latinos. Em outro trecho, um agente utiliza a palavra "wet", apontada pelos advogados como uma abreviação de um insulto direcionado a pessoas de origem latina.

As mensagens de texto recuperadas pelos investigadores também mostram o uso repetido dessas expressões entre agentes durante operações realizadas na região de Los Angeles e em Long Beach.

Em resposta, o Departamento de Segurança Interna (DHS) não comentou especificamente se o uso desses termos viola as políticas da agência. Em nota, o órgão afirmou que seus agentes estão focados na segurança pública e criticou o que classificou como "indignação performática" sobre o caso.

A ação foi movida pela ACLU em nome de diversas pessoas — incluindo cidadãos americanos — que alegam ter sido paradas, interrogadas e, em alguns casos, detidas por agentes de imigração sem justificativa legal.

Em decisão anterior, uma juíza federal chegou a determinar que agentes não poderiam realizar abordagens tendo apenas a raça como critério. No entanto, essa restrição foi posteriormente suspensa pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

A ACLU afirma que as novas evidências reforçam a acusação de que agentes federais estariam violando direitos constitucionais ao selecionar pessoas para fiscalização com base principalmente em sua aparência ou origem étnica. O processo continua em tramitação na Justiça Federal.

Fonte: ABC