Grávida de cinco meses e filho bebê estão detidos há mais de um mês em centro do ICE no Texas

Família afirma que jovem de 21 anos não recebeu atendimento médico adequado durante a detenção; autoridades ainda não comentaram o caso

Por Lara Barth

O oficial de deportação da Imigração e Alfândega dos EUA, Billy Olvera, 48, pode pegar até 20 anos de prisão federal.

Uma jovem mãe de 21 anos, grávida de cinco meses, está detida há mais de 40 dias junto com o filho bebê em um centro de detenção de imigrantes em Dilley, no Texas, segundo familiares e uma organização de apoio a imigrantes.

Laura Rojas Ortiz foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) durante uma apresentação de rotina em um escritório da agência em Dallas, enquanto aguardava o andamento de um pedido de visto U, destinado a vítimas ou testemunhas de determinados crimes.

Segundo a mãe da jovem, Paola, Laura compareceu ao encontro com o ICE como fazia regularmente, mas acabou sendo presa.

“Ela foi chamada para comparecer ao escritório do ICE em Dallas. Ela foi como sempre fazia, e eles a detiveram”, afirmou Paola em entrevista à imprensa.

A família relata que Laura havia entrado nos Estados Unidos pela fronteira sul há mais de um ano junto com o filho pequeno e o companheiro. Depois, teria iniciado o processo para solicitar o visto U após um tiroteio no bairro onde morava, quando uma bala teria atravessado a parede da residência e atingido de raspão o filho dela.

Antes da prisão, Laura usava uma tornozeleira eletrônica e fazia acompanhamentos regulares com o ICE, segundo familiares e uma amiga.

A jovem, que possui uma gravidez considerada de risco, estaria sem receber acompanhamento médico adequado no centro de detenção, de acordo com a mãe.

“Até hoje ela não fez ultrassom nem passou por um especialista. Não fizeram exames de sangue ou qualquer outro atendimento”, disse Paola.

Questionamentos sobre atendimento médico

Organizações de defesa dos imigrantes afirmam que a detenção de mulheres grávidas contraria uma orientação do próprio ICE, que recomenda evitar prender ou manter detidas pessoas grávidas, no período pós-parto ou amamentando, exceto em circunstâncias excepcionais.

A família também afirma que o filho de Laura, que consumia apenas leite sem lactose, teria recebido leite integral na unidade.

Paola relatou ainda que, durante uma visita recente de parlamentares ao centro de Dilley, sua filha teria sido transferida para uma sala médica para uma possível avaliação. Segundo ela, após a saída dos políticos, Laura teria sido retirada do local.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) não respondeu aos pedidos de comentário sobre o caso.

Debate sobre condições no centro de Dilley

Na semana passada, o deputado democrata Joaquin Castro visitou a unidade de Dilley acompanhado de outros parlamentares e afirmou que mais de 500 pessoas estão atualmente detidas no local.

Segundo Castro, ele teve acesso limitado ao centro e conseguiu conversar apenas com um menor de idade.

“Há mais crianças lá agora do que antes. Acredito que isso seja resultado do aumento das operações do ICE nas últimas semanas”, afirmou o deputado.

A organização Each Step Home, que apoia imigrantes detidos, informou que tem ajudado Laura e outras famílias com recursos para compra de alimentos e itens básicos dentro da unidade.

A diretora-executiva da organização, Casey Revkin, disse que esse apoio é essencial para muitas famílias detidas.

“É doloroso pensar em uma criança sem comer. Ficamos aliviados quando uma mãe consegue usar esse apoio para comprar alimentos que seus filhos possam consumir”, afirmou.

Ativistas, profissionais de saúde e parlamentares já haviam levantado preocupações sobre as condições no centro de detenção de Dilley.

O principal médico do Departamento de Segurança Interna, Dr. Sean Conley, negou anteriormente que imigrantes detidos estejam sendo privados de atendimento adequado e afirmou que o ICE oferece cuidados médicos, odontológicos, serviços de saúde feminina, acompanhamento psicológico e atendimento emergencial 24 horas.

Fonte: ABC