ICE planeja equipar agentes com luvas capazes de aplicar choques elétricos
Dispositivo foi desenvolvido para conter pessoas consideradas combativas; plano prevê investimento de até US$ 20 milhões
O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) planeja equipar seus agentes com luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos para tentar controlar pessoas consideradas combativas durante abordagens.
Segundo um aviso publicado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), o órgão pretende gastar entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões na compra dos equipamentos, chamados de G.L.O.V.E., sigla em inglês para “emissor de baixa voltagem gerada”.
Fabricadas pela empresa Compliant Technologies, do Kentucky, as luvas funcionam normalmente como equipamentos de proteção até que o agente acione um botão que ativa o sistema elétrico. O choque precisa ser aplicado diretamente sobre a pele e, segundo a fabricante, provoca um estímulo doloroso que pode levar a pessoa a obedecer em poucos segundos.
A empresa compara a sensação a uma “picada de abelha”.
O governo americano poderá publicar já nesta sexta-feira uma solicitação para um contrato sem concorrência, com previsão de aquisição dos dispositivos até março.
Críticas ao uso da tecnologia
A possibilidade de adoção das luvas provocou reação de organizações de direitos civis, principalmente em meio ao aumento das operações de imigração durante o governo Donald Trump.
A ACLU questionou a necessidade do equipamento em ações de fiscalização migratória e afirmou que existe o risco de agentes utilizarem os choques sem que as pessoas tenham qualquer aviso prévio.
A própria fabricante, porém, afirma que o dispositivo não deve ser utilizado como punição, contra pessoas que apenas apresentem resistência verbal ou em grupos considerados de maior risco, como crianças, grávidas, idosos e pessoas com deficiência.
Defensores do equipamento dizem que ele pode reduzir confrontos físicos e ajudar agentes a controlar pessoas que resistem à prisão ou se recusam a entrar em veículos.
Para utilizar as luvas, os agentes precisam passar por treinamento específico e realizar uma nova certificação a cada dois anos.
Compra ocorre durante expansão do ICE
O plano surge enquanto o ICE amplia as operações contra imigrantes acusados de permanecer ilegalmente nos Estados Unidos. A agência vem sofrendo críticas por suas táticas de abordagem e pelo uso da força durante a atual ofensiva migratória.
O governo Trump estabeleceu como meta 2 mil prisões por dia para o ICE.
A agência também foi alvo de críticas após dois episódios recentes em que agentes atiraram e mataram imigrantes durante tentativas de abordagem. Nos dois casos, os agentes envolvidos não utilizavam câmeras corporais.
O DHS afirmou que pretende ampliar o uso desses equipamentos e determinou que todas as equipes de prisão do ICE tenham pelo menos um agente equipado com câmera corporal.
Fonte: CBS