Taxa do ICE": deportações em massa já pressionam preços nos EUA — e o dólar segue instável para quem envia remessas ao Brasil

Levantamento aponta alta de custos em construção, saúde domiciliar e alimentação em estados com mais deportações, enquanto câmbio opera perto de R$ 5,16 sob efeito de tensões internacionais

Por Da redação

The ICE Tax

As operações de deportação em massa promovidas pelo governo Trump começam a mostrar um efeito colateral que vai muito além da comunidade imigrante: o bolso do consumidor americano. Um novo relatório da organização America's Voice, batizado de "The ICE Tax", relaciona o intenso ritmo de deportações a aumentos de custo em setores inteiros da economia dos Estados Unidos — com reflexos diretos sobre milhões de famílias, inclusive brasileiras.
De acordo com o levantamento, o emprego na construção civil recuou nos cinco estados mais dependentes de mão de obra imigrante desde o início da atual gestão até junho, enquanto cresceu no restante do país no mesmo período. No Nordeste dos EUA, região onde quase um quarto da força de trabalho da construção é formada por imigrantes, a emissão de novas licenças para construção de casas unifamiliares despencou entre março de 2025 e junho de 2026 — justamente quando o preço de imóveis novos na região disparou.
O setor de home healthcare (cuidados domiciliares de saúde), no qual 4 em cada 10 trabalhadores são imigrantes, também registrou forte alta de custos no último ano, segundo o relatório. Já um estudo da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, citado no mesmo levantamento, mostra que, depois que uma operação do ICE atinge uma região metropolitana, o comércio local sente o golpe: o consumo cai e o movimento nos estabelecimentos comerciais despenca abaixo da média.
Para a comunidade brasileira, presente em polos como Flórida, Massachusetts e Nova Jersey — justamente estados apontados como focos de maior concentração de detidos —, o alerta é duplo: além do risco pessoal de quem está sem status regularizado, há um impacto econômico que chega para todos, documentados ou não, na forma de aluguel, reforma, cuidado de idosos e até no preço do prato feito.
Enquanto isso, no câmbio, o dólar segue em compasso de espera. Nesta terça-feira (25), a moeda operava perto de R$ 5,16 na venda, em leve alta, influenciada pela ampliação de sanções dos Estados Unidos contra o Irã e por movimentos no mercado de títulos do Tesouro americano — dois fatores que têm mantido o câmbio sensível a notícias internacionais nas últimas semanas. Para quem faz remessas entre Brasil e Estados Unidos, a orientação de analistas é acompanhar a cotação diária de perto, já que o cenário internacional segue como principal vetor de oscilação, mais até do que os fundamentos domésticos das duas economias.