ICE registra quase 50 mil prisões em julho; Flórida e Texas somam quase 20 mil

Número aumentou 15% em relação a junho e é o maior registrado em um único mês durante o segundo governo Trump. Mais da metade dos detidos não tinha condenação nem acusação criminal pendente.

Por Da redação

ICE registra quase 50 mil prisões em julho

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, realizou 49.571 prisões migratórias em julho de 2026, o maior total mensal registrado durante o segundo governo do presidente Donald Trump.

O número representa um aumento de 15% em comparação com junho, quando foram registradas 43.021 prisões. Em relação a fevereiro, mês em que o ICE deteve 29.241 pessoas, o crescimento foi de aproximadamente 70%.

Os dados foram fornecidos pelo próprio ICE ao Deportation Data Project, projeto mantido pelas universidades da Califórnia em Berkeley e Los Angeles, após uma ação baseada na Lei de Acesso à Informação dos Estados Unidos. As informações foram analisadas pela Associated Press.

FLÓRIDA E TEXAS CONCENTRAM PRISÕES

A Flórida e o Texas somaram quase 20 mil prisões migratórias somente em julho. Os dados divulgados, no entanto, não apresentaram separadamente o número correspondente a cada estado.

Os dois estados mantêm ampla participação no programa federal conhecido como 287(g), que permite que policiais estaduais e locais, depois de receberem treinamento e autorização, desempenhem determinadas funções de fiscalização migratória em cooperação com o ICE.

Em julho, aproximadamente 6.500 prisões foram realizadas por meio das parcerias com autoridades estaduais e locais. O número representa cerca de 13% de todas as detenções do mês. Um ano antes, essas operações correspondiam a menos de 5% do total mensal.

A mudança mostra o aumento da participação de departamentos de polícia e agências estaduais na aplicação das leis de imigração.

MAIS DA METADE NÃO TINHA CONDENAÇÃO

Os números também mostram uma diferença entre o perfil dos detidos e o discurso do governo de que as operações priorizam pessoas envolvidas em crimes.

Mais da metade das pessoas presas em julho não tinha condenação nem enfrentava acusações criminais pendentes. Uma análise do jornal The Guardian calculou que esse grupo representava 51% dos detidos.

Menos de um quarto das pessoas presas tinha sido condenado por algum crime. Cerca de metade das prisões ocorreu diretamente nas comunidades, e não por meio da transferência de pessoas que já estavam sob custódia de uma cadeia ou departamento de polícia.

As autoridades passaram a utilizar operações menos visíveis, incluindo abordagens de trânsito, prisões próximas a residências, comparecimentos a escritórios do ICE e ações realizadas em parceria com policiais locais.

Além das prisões, quase 34 mil pessoas foram removidas dos Estados Unidos em julho, também o maior número mensal do atual governo, segundo a análise dos dados federais.

Uma prisão migratória não significa, por si só, que a pessoa tenha sido condenada por um crime. Os casos podem envolver violações administrativas das leis de imigração, ordens de deportação, perda de proteção migratória ou processos ainda pendentes.

ICE