EUA contratam empresas para localizar migrantes deportados e cobrar multas de R$ 2,15 bilhões

Governo Trump fechou contratos de até US$ 9 milhões com quatro empresas para tentar recuperar dívidas de mais de 66 mil pessoas

Por Lara Barth

Iniciativa faz parte de meta de deportação de Trump

O governo de Donald Trump contratou empresas privadas para localizar migrantes do México, Honduras e Guatemala que foram deportados dos Estados Unidos e que, segundo autoridades americanas, possuem centenas de milhões de dólares em multas não pagas.

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) calcula que mais de 66,3 mil pessoas deportadas tenham uma dívida conjunta de aproximadamente US$ 423 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,15 bilhões.

Para tentar recuperar esse dinheiro, a agência fechou, no mês passado, contratos de até US$ 9 milhões, aproximadamente R$ 45,78 milhões, cada com quatro empresas especializadas em recuperação de dívidas.

Segundo a Bloomberg, os contratos foram concedidos às empresas Global Recovery Group, The Baptiste Group, Caduceus Inc. e Response AI Solutions.

Documentos federais indicam que as empresas poderão utilizar diferentes tipos de informações para localizar os migrantes e avaliar sua capacidade de pagamento. Entre os dados disponíveis estão registros de emprego, documentos judiciais, contas de serviços públicos e até fotografias de residências.

Os documentos, no entanto, não esclarecem como o governo americano pretende obrigar pessoas que já deixaram os Estados Unidos a pagar as dívidas. Também não está definido qual seria o papel das autoridades dos países onde esses migrantes atualmente vivem.

Multas podem chegar a quase US$ 1 mil por dia

As dívidas têm como base, entre outras normas, uma lei de imigração de 1996 que permite a aplicação de multas diárias a pessoas que permanecem nos Estados Unidos depois de receberem uma ordem de deportação.

Em 2021, durante o governo de Joe Biden, a política foi encerrada. Na época, a administração afirmou que o sistema era ineficaz e consumia recursos que poderiam ser destinados a outras ações de fiscalização migratória.

Depois de retornar à Casa Branca, Trump retomou a aplicação das multas e ampliou a política. Em alguns casos, as penalidades podem chegar a quase US$ 1 mil por dia.

Agora, com a contratação das empresas de recuperação de dívidas, o governo americano busca localizar pessoas que já foram deportadas para outros países e cobrar os valores acumulados.

Ainda não está claro, porém, como essas cobranças serão realizadas fora dos Estados Unidos ou quais medidas poderão ser adotadas contra pessoas que não tenham condições de pagar as multas.

Fonte: O Globo