Relatório sobre o ‘Alligator Alcatraz’ levanta alertas sobre outro centro de imigração na Flórida

Centro conhecido como "Deportation Depot", instalado em uma antiga prisão no norte do estado, abriga mais de mil imigrantes e teria pouca ou nenhuma fiscalização federal

Por Lara Barth

Espaço para "Alcatraz dos Jacarés" dos Everglades

Um relatório do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) levantou preocupações sobre as condições de um segundo centro de detenção de imigrantes administrado pelo estado da Flórida.
A preocupação surgiu após uma inspeção surpresa realizada em janeiro no “Alligator Alcatraz”, centro que já foi fechado. O relatório encontrou problemas como dezenas de imigrantes mantidos em pequenas estruturas metálicas e destacou que as conclusões continuam relevantes porque o chamado “Deportation Depot”, no norte da Flórida, permanece em funcionamento com pouca supervisão federal.
O centro funciona desde cerca de um ano atrás em uma antiga prisão, o Baker Correctional Institute, em Sanderson, no Baker County. Segundo o relatório, mais de 1.000 pessoas estavam detidas no local no fim de agosto.
De acordo com o documento, o Immigration and Customs Enforcement (ICE) não realizou inspeções internas no centro e também não tinha uma inspeção programada para os anos fiscais atual ou seguinte. A documentação da própria agência ainda indica que os padrões federais de detenção previstos em contrato para a unidade aparecem como “N/A”.
Com isso, a fiscalização das condições fica principalmente sob responsabilidade do governo da Flórida. A situação preocupa ativistas do norte do estado, que vêm protestando contra o centro e relatam, com base em depoimentos de pessoas detidas, condições consideradas graves e atendimento médico inadequado.
Ainda não está claro quais padrões específicos de tratamento de detentos são adotados no local. O relatório afirma que, durante a operação do Alligator Alcatraz, funcionários também não conseguiam identificar claramente quais regras deveriam seguir para pessoas detidas por questões migratórias.
Segundo o inspetor-geral, a ausência de padrões claramente definidos aumenta o risco de que os detentos não recebam cuidados adequados. Um funcionário do Alligator Alcatraz chegou a descrever a situação como uma área “cinzenta” sobre quais regras deveriam ser aplicadas.
A Flórida destinou pelo menos US$ 230 milhões em contratos estaduais para adaptar e administrar a antiga prisão de Baker County como centro de detenção migratória. O valor faz parte dos mais de US$ 1,4 bilhão que o estado afirma ter comprometido, no último ano, com ações relacionadas à política de deportações em massa do governo Donald Trump.
O escritório do inspetor-geral não informou se pretende realizar uma inspeção surpresa no Deportation Depot. Questionados sobre a fiscalização, representantes do DHS encaminharam as perguntas ao governo de Ron DeSantis, que não respondeu aos questionamentos enviados.

Fonte: Miami Herald