Dados mostram para onde foram 4,5 milhões de migrantes após cruzarem a fronteira dos EUA

Levantamento obtido pela Associated Press revela destinos, nacionalidades e características de pessoas liberadas após entrar no país entre 2018 e 2025

Por Lara Barth

Fronteira entre México e Arizona

Dados federais obtidos exclusivamente pela Associated Press mostram para onde foram 4,5 milhões de migrantes liberados nos Estados Unidos após cruzarem a fronteira com o México entre outubro de 2018 e julho de 2025.

As informações foram obtidas por meio de um pedido baseado na Lei de Liberdade de Informação (FOIA) e incluem os códigos postais dos endereços informados pelos migrantes, nacionalidade, idade, gênero, data e região onde foram encontrados pelas autoridades.

O levantamento mostra que muitos foram para destinos tradicionais de imigrantes, como Nova York e Miami, mas uma parcela crescente se estabeleceu em cidades menores, como Elkhart, em Indiana; Knoxville, no Tennessee; e Dodge City, no Kansas.

A diversidade de nacionalidades também aumentou. Em apenas um ano, a Patrulha de Fronteira registrou pessoas de 174 países, em contraste com períodos anteriores, quando a maioria dos migrantes era mexicana ou centro-americana.

Em Nova York, o Queens recebeu grandes grupos de pessoas de pelo menos 25 nacionalidades. Entre os principais estavam equatorianos, chineses, colombianos, venezuelanos e indianos. Na Filadélfia, brasileiros, haitianos e dominicanos estiveram entre os grupos mais numerosos, além de migrantes da Rússia e da Venezuela.

Flórida continua como principal destino

A Flórida foi o estado que mais recebeu migrantes no período analisado. Mesmo assim, muitos latino-americanos passaram a buscar outras regiões em função de oportunidades de trabalho e da presença de comunidades de seus países de origem.

Entre os cubanos, nove dos dez principais códigos postais de destino estavam na Flórida, mas outros grupos se concentraram em cidades como Louisville, no Kentucky; Grand Island, em Nebraska; e Odessa, no Texas.

Colombianos tiveram forte presença em Aurora, no Colorado, enquanto Paterson, em Nova Jersey, foi o principal destino entre os peruanos. Venezuelanos também se estabeleceram em áreas próximas a Salt Lake City, Atlanta, Chicago e Denver.

Mulheres e crianças representam maioria

O levantamento aponta ainda uma mudança no perfil migratório. Quase seis em cada dez migrantes liberados na fronteira eram mulheres ou crianças, em contraste com anos anteriores, quando os homens eram maioria.

Entre os chineses, que aumentaram sua presença na fronteira da Califórnia, os principais destinos foram Nova York — especialmente Queens e Brooklyn — e bairros da região de Los Angeles.

O impacto da política migratória também varia conforme o destino. Miami e Nova York, que receberam grandes números de migrantes, estão entre as regiões que registraram operações de fiscalização e prisões de imigrantes. Outras áreas com forte crescimento populacional, como o Vale do Silício, Madison, em Wisconsin, e Stamford, em Connecticut, receberam menos atenção das autoridades.

Fonte: NBC