Governo Trump começa a construir muro na região de Big Bend, no Texas

Obras avançam por um trecho de 47 milhas na fronteira com o México, apesar da forte oposição de proprietários de terras, ambientalistas, empresários e fazendeiros.

Por Lara Barth

Fronteira entre México e Arizona

O governo de Donald Trump começou a instalar painéis do muro na região de Big Bend, no oeste do Texas, marcando o início da primeira grande obra em uma área da fronteira entre Estados Unidos e México onde os planos enfrentam forte resistência.
A construção faz parte do plano de US$ 46 bilhões da administração Trump para ampliar a infraestrutura na fronteira, com muros, barreiras, estradas e tecnologias de vigilância. A medida também representa um avanço em uma das principais promessas de campanha do presidente: concluir o muro na fronteira sul.
Segundo a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), a instalação de painéis está em andamento em um trecho de 47 milhas (cerca de 76 quilômetros) do condado de Hudspeth, conhecido como Big Bend 1.
A região de Big Bend é formada por cinco áreas de projetos que, juntas, cobrem aproximadamente 500 milhas (805 quilômetros) ao longo da fronteira, desde o sul de El Paso até o lago Amistad.
A CBP não informou quando exatamente os primeiros painéis foram instalados. Uma imagem publicada no site da agência mostra um guindaste colocando no lugar um dos painéis de aço, com cerca de 30 pés (9 metros) de altura.
A obra é diferente de outro projeto de infraestrutura de fronteira nas proximidades do Parque Nacional Big Bend, onde a administração suspendeu temporariamente a construção enquanto tenta dialogar com opositores.
Resistência na região
Na região mais ampla de Big Bend, proprietários de terras, grupos ambientais, empresários e fazendeiros têm se mobilizado contra os projetos. Eles argumentam que a área é remota e não registra um fluxo elevado de imigração irregular.
Clara Benson, uma das fundadoras da organização No Big Bend Wall Coalition, afirmou que moradores haviam relatado a circulação de caminhões levando materiais para áreas próximas ao Rio Grande e a preparação de terrenos para armazenar equipamentos.
Mesmo com o início das obras, Benson disse que o grupo continuará tentando impedir a expansão do muro.
“Continuaremos lutando por essa terra, independentemente do resultado. Continuaremos lutando até o fim”, afirmou.
No início desta semana, proprietários de terras, fazendeiros e empresários da região, junto com uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação do patrimônio e da paisagem local, entraram com uma ação judicial para tentar interromper os planos do governo.
Construção acelera na fronteira
A administração Trump pretende instalar ao longo de toda a fronteira uma combinação de barreiras de aço de aproximadamente 30 pés de altura, estruturas para impedir a passagem de veículos, novas estradas para patrulhamento e diferentes tecnologias para detectar e impedir a entrada de imigrantes e contrabandistas.
A CBP informou que atualmente constrói, em média, 12 milhas (19 quilômetros) de barreiras por semana ao longo dos cerca de 2 mil milhas da fronteira com o México. A agência também anunciou recentemente a conclusão de 200 milhas (322 quilômetros) de novas barreiras desde o início do segundo mandato de Trump.
O ritmo atual é aproximadamente o dobro do registrado no início deste ano, segundo números apresentados pelo chefe da CBP, Rodney Scott.
Os projetos enfrentam oposição em diferentes pontos da fronteira. Grupos ambientais, moradores de uma pequena cidade preocupados com possíveis enchentes, comunidades indígenas que afirmam que obras estão afetando locais sagrados e proprietários que contestam a entrada do governo em suas terras estão entre os grupos que questionam a expansão da infraestrutura.
No Texas, parte significativa da resistência está concentrada no Parque Nacional Big Bend e nas propriedades particulares ao longo do Rio Grande. Alguns proprietários se recusaram a permitir que agentes do governo ou empresas contratadas pela CBP entrem em suas terras para realizar levantamentos.
Moradores e ativistas também têm participado de reuniões dos condados para pressionar autoridades locais a não colaborar com empresas contratadas para construir o muro.

Fonte: CBS