Aumento de operações do ICE em 2025 afetou empregos locais, aponta estudo

Análise do Brookings Institution estima que, em cidades onde as prisões de imigrantes mais cresceram, o emprego ficou 0,4% abaixo do esperado

Por Lara Barth

Duas mortes foram semana passada.

O aumento das operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) em 2025 esteve associado a uma queda no emprego em cidades onde as prisões cresceram mais rapidamente, segundo um estudo do Brookings Institution.
De acordo com os pesquisadores, o nível de emprego nessas regiões ficou 0,4% abaixo da trajetória esperada logo após o aumento das detenções e permaneceu nesse patamar por até um ano. Em média, cada prisão adicional em cidades onde a presença do ICE aumentou significativamente esteve associada à perda de aproximadamente quatro empregos.
Marcela Escobari, autora principal do estudo, afirmou à CBS News que os efeitos não ficaram restritos aos imigrantes e também atingiram trabalhadores americanos.
Empresas também foram afetadas
Segundo Escobari, o impacto ocorreu principalmente por três caminhos. O primeiro foi o medo entre trabalhadores, que fez algumas pessoas deixarem de comparecer ao trabalho mesmo sem terem sido presas.
A redução da mão de obra teria provocado dificuldades para empresas, levando algumas a diminuir horários de funcionamento, adiar planos de expansão, congelar contratações e, em alguns casos, demitir funcionários ou fechar as portas.
O setor da construção é citado como exemplo. Segundo a pesquisadora, quando equipes formadas majoritariamente por imigrantes deixam de trabalhar ou são detidas, projetos podem ficar paralisados, afetando também profissionais americanos envolvidos nas etapas seguintes.
O segundo efeito apontado pelo estudo foi a redução do consumo. Com o aumento das operações do ICE, parte da população teria evitado sair de casa e gastar dinheiro, reduzindo o movimento em estabelecimentos locais.
Governo Trump contesta conclusão
A Casa Branca contestou a relação entre o aumento das operações de imigração e a queda do emprego. Em declaração à CBS News, a porta-voz Lauren Bis afirmou que o aumento da imigração ilegal durante o governo Biden teria prejudicado a economia e os salários dos trabalhadores americanos.
A administração Trump também defende que políticas mais rígidas de fiscalização migratória protegem trabalhadores americanos, reduzem a pressão sobre comunidades locais e reforçam o controle das fronteiras.
As operações de fiscalização foram ampliadas em 2025. Em julho, o ICE registrou o maior número mensal de detenções do segundo mandato de Trump, com mais de 46 mil pessoas detidas por possíveis violações migratórias, segundo a CBS News.
Outros estudos apontam efeitos econômicos
O levantamento do Brookings não é o único a identificar impactos econômicos associados ao aumento das operações do ICE.
Um estudo de 2026 da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, apontou queda na atividade econômica e nos gastos dos consumidores em regiões metropolitanas onde ocorreram operações do órgão.
Outra análise, do UCLA Latino Policy and Politics Institute, identificou uma redução de até 11% nas visitas a estabelecimentos comerciais do condado de Los Angeles nas semanas seguintes a operações do ICE na região.
Os estudos analisam diferentes períodos e regiões e utilizam metodologias distintas, mas apontam para efeitos econômicos locais associados ao aumento da fiscalização migratória.

Fonte: CBS