EUA enviaram mais de 25 mil deportados para países terceiros, incluindo brasileiros

Investigação aponta que o governo americano firmou acordos com 35 países e destinou pelo menos US$ 410 milhões para viabilizar as transferências

Por Lara Barth

EUA deporta brasileiros

Os Estados Unidos deportaram pelo menos 25.447 pessoas para países terceiros desde janeiro de 2025, incluindo mais de 40 brasileiros enviados para locais com os quais não tinham vínculos, segundo uma investigação publicada pelo Forbidden Stories em parceria com um consórcio internacional de jornalistas.
A operação envolve acordos firmados pelo governo do presidente Donald Trump com 35 países em desenvolvimento para receber migrantes que não podem ser enviados legalmente de volta aos seus países de origem.
Segundo a investigação, os Estados Unidos destinaram pelo menos US$ 410 milhões para financiar os governos que recebem os deportados ou órgãos das Nações Unidas envolvidos no processo.
Brasileiros enviados para outros países
Mais de 40 brasileiros teriam sido transferidos para países como Costa Rica, Libéria e Guiné Equatorial, em vez de serem enviados diretamente ao Brasil.
De acordo com os dados reunidos pela investigação, brasileiros representam a terceira nacionalidade mais enviada para países terceiros, atrás apenas de chineses e colombianos.
Organizações de direitos humanos, no entanto, afirmam que o número real pode ser maior devido ao sigilo que envolve os acordos e as operações de transferência.
México recebeu a maior parte
Dos 25.447 deportados registrados até 31 de agosto de 2026, cerca de 20 mil foram enviados ao México. Os demais foram distribuídos entre outros 27 países da América Latina, África e região do Pacífico.
Além dos acordos já utilizados, Estados Unidos e outros sete países também concluíram negociações para possíveis transferências.
Os termos variam de acordo com cada nação, incluindo quais nacionalidades podem ser aceitas e se pessoas com antecedentes criminais podem ser enviadas.
A investigação descreve o sistema como uma estratégia do governo americano para realizar deportações mesmo quando o retorno direto ao país de origem não é possível.

Fonte: O Globo/Estadão