Governo Trump pede à Suprema Corte para retomar deportações de imigrantes para terceiros países
Departamento de Justiça quer suspender decisão que exige que deportados sejam avisados e tenham a oportunidade de contestar a remoção antes de serem enviados a países onde não possuem vínculos.
O governo de Donald Trump pediu nesta quinta-feira (25) à Suprema Corte dos Estados Unidos autorização para retomar uma política que permite deportar alguns imigrantes para países diferentes de seus países de origem.
O Departamento de Justiça quer suspender uma decisão de um juiz federal de Massachusetts, de fevereiro de 2026, que determinou que os imigrantes recebam aviso e tenham a oportunidade de contestar a deportação antes de serem enviados a um chamado “terceiro país”.
A decisão foi mantida em grande parte por um tribunal de apelações na semana passada. Segundo os tribunais, os imigrantes precisam ter a chance de apresentar possíveis riscos de perseguição ou tortura antes de serem removidos.
O governo afirma que a política permitiu a deportação de milhares de pessoas nos últimos meses e que outras milhares poderiam ser enviadas para terceiros países. Segundo o procurador-geral D. John Sauer, uma decisão contrária já obrigou o Departamento de Segurança Interna a cancelar um voo que levaria cerca de 70 pessoas para três países.
Como parte da política migratória do governo, os Estados Unidos fizeram acordos com dezenas de países, principalmente na África e na América Latina, para receber pessoas deportadas que não são cidadãs dessas nações.
Entre os países que aceitaram receber deportados estão Guiné Equatorial, República Centro-Africana e Sudão do Sul. Alguns deles enfrentam conflitos armados, pobreza e denúncias de violações de direitos humanos.
Em junho, a CBS News entrevistou imigrantes do Brasil, Colômbia, Guatemala, Honduras e Venezuela enviados para a Libéria. Eles disseram que foram deportados sem aviso prévio e sem oportunidade de contestar a remoção e relataram sensação de não pertencer a nenhum país.
A política tem como alvo principalmente imigrantes que obtiveram proteção limitada contra a deportação para seus países de origem e pessoas cujos governos dificultam ou rejeitam a deportação feita pelos Estados Unidos.
A juíza Ketanji Brown Jackson, responsável por analisar pedidos emergenciais relacionados à região da Nova Inglaterra, deu aos advogados dos imigrantes até segunda-feira para responder ao pedido do governo. A disputa já havia chegado à Suprema Corte anteriormente, quando os ministros permitiram que as deportações para terceiros países fossem retomadas enquanto o processo judicial continuava.
Fonte: CBS