ICE desperdiçou milhões em expansão de centros de detenção, aponta auditoria
Agência de imigração dos EUA gastou bilhões na compra e adaptação de instalações para ampliar a capacidade de detenção, mas abandonou parte dos projetos e perdeu US$ 20 milhões em custos não recuperáveis.
A agência de imigração dos Estados Unidos, ICE, desperdiçou milhões de dólares em uma corrida para ampliar sua capacidade de detenção de imigrantes, segundo relatório divulgado pelo Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do governo americano.
Em janeiro, a agência transferiu bilhões de dólares para uma conta de garantia administrada pela Chicago Title Insurance para comprar imóveis que seriam transformados em grandes centros de detenção. Nos dois meses seguintes, o ICE gastou US$ 1,07 bilhão na aquisição de 11 armazéns. Sete deles, porém, agora devem ser vendidos.
O GAO identificou pelo menos US$ 20 milhões em custos não recuperáveis relacionados às compras abandonadas. O prejuízo pode aumentar caso os imóveis sejam vendidos por valores inferiores aos pagos. Segundo o órgão, o ICE também não avaliou adequadamente os custos de longo prazo das instalações.
Apesar do abandono de parte do projeto, US$ 1,55 bilhão ainda permanecia em poder da Chicago Title para futuras aquisições, segundo os dados analisados. A agência pretende dobrar o número de vagas de detenção e recebeu US$ 45 bilhões para ampliar essa capacidade por meio do pacote de gastos conhecido como One Big Beautiful Bill Act.
O ICE também comprou quatro instalações da empresa privada CoreCivic por US$ 2,2 bilhões entre julho e agosto. A agência continuará pagando para que a companhia opere os centros.
Outros gastos questionados
O relatório apontou ainda que o ICE pagou valores acima do habitual por vagas em instalações administradas pelo governo. Na Flórida, por exemplo, a agência desembolsou US$ 608,4 milhões por dois centros, incluindo o chamado “Alligator Alcatraz”, pagando quase três vezes a tarifa normalmente praticada por vaga.
Em outra iniciativa, o ICE gastou US$ 7,1 milhões em refeições que não foram necessárias em uma instalação militar em El Paso, no Texas. A agência também abandonou planos de criar centros semelhantes em bases militares de Indiana e Nova Jersey.
Em Guantánamo, o ICE gastou US$ 2,85 milhões em tendas para abrigar detentos que nunca chegaram a ser utilizadas. A instalação, inicialmente planejada para receber até 30 mil pessoas, chegou a ter apenas seis detentos.
O GAO afirmou que a falta de planejamento de longo prazo levou a sucessivas mudanças de estratégia e, consequentemente, ao desperdício de recursos públicos. O ICE informou que pretende apresentar um plano estratégico até agosto de 2027, prazo considerado tardio pelo órgão fiscalizador.
Fonte: CBS