Caravana com mais de 600 migrantes avança pelo México em direção à fronteira dos EUA

Grupo "Fé e Esperança" começou a viagem em Honduras e reúne pessoas de pelo menos cinco países; autoridades americanas acompanham o deslocamento

Por Lara Barth

Caravana com mais de 600 migrantes avança pelo México em direção à fronteira dos EUA

Uma caravana de mais de 600 migrantes avança pelo México em direção à fronteira com os Estados Unidos. O grupo, chamado de “Fé e Esperança”, começou a jornada em 20 de setembro, quando entre 200 e 400 hondurenhos deixaram San Pedro Sula, em Honduras. Ao longo do caminho, outros migrantes se juntaram ao grupo.
Atualmente, a caravana está no sul do México, depois de passar por Tapachula, e segue em direção ao norte. Além de hondurenhos, o grupo inclui migrantes de El Salvador, Guatemala, Equador e Haiti. A composição mudou durante o trajeto, com pessoas que já estavam no sul do México aderindo à caminhada.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) informou que a Patrulha de Fronteira acompanha o deslocamento em contato com parceiros internacionais. A caravana ainda está a centenas de quilômetros da fronteira americana, e não está claro quantas pessoas chegarão ao norte do México ou tentarão entrar nos EUA.
Pressão migratória permanece baixa na fronteira
A movimentação ocorre enquanto o governo de Donald Trump mantém políticas mais restritivas para a imigração. Segundo dados divulgados pelo DHS e pela Patrulha de Fronteira, 8.870 pessoas foram detidas na fronteira sudoeste dos EUA em agosto, número 94% abaixo da média mensal registrada durante o governo Joe Biden. As autoridades também afirmam que não houve liberações de migrantes para o interior do país naquele mês, mantendo uma sequência de 16 meses sem liberações.
O governo americano afirma que pessoas que tentarem entrar ilegalmente serão detidas, processadas quando aplicável e deportadas. A Embaixada dos EUA em Honduras também publicou alertas para que migrantes não façam a viagem.
Por que os migrantes estão deixando Honduras?
Migrantes entrevistados pela agência EFE citaram principalmente dificuldades econômicas e falta de oportunidades de trabalho. Alguns disseram que pretendem chegar aos Estados Unidos para ajudar financeiramente familiares que ficaram em seus países de origem.
O pesquisador Manuel Orozco, do Inter-American Dialogue, afirmou que caravanas podem oferecer uma alternativa para pessoas que não têm dinheiro para pagar contrabandistas de migrantes e que a formação do grupo não significa necessariamente que todos tenham o mesmo plano para chegar aos EUA.
Caravanas desse tipo se tornaram recorrentes na rota entre a América Central, o México e os Estados Unidos. Muitas, porém, acabam se dispersando antes de chegar à fronteira americana, inclusive após ações das autoridades mexicanas.
Caravana ganha atenção antes das eleições
A movimentação também ocorre poucas semanas antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novembro. O tema da imigração voltou a ocupar espaço no debate político americano, com republicanos destacando a caravana em discussões sobre segurança de fronteira.
Ao mesmo tempo, há divergências entre políticos americanos sobre o significado e o momento da caravana. A deputada republicana Nancy Mace relacionou o episódio às eleições, enquanto a ex-deputada republicana Marjorie Taylor Greene questionou se a atenção dada ao grupo estaria sendo usada politicamente.
Até o momento, não há indicação de que a caravana tenha uma liderança única ou de que todos os participantes tenham o mesmo destino final. Imagens da Reuters mostram migrantes caminhando pelo sul do México com uma faixa identificando o grupo como “Caravana de Fé e Esperança”.

Fonte: Newsweek