Família de Renee Good processa governo dos EUA por morte em operação do ICE
Mãe de três filhos foi morta a tiros por um agente do ICE em Minneapolis; autoridades afirmam que o policial agiu em legítima defesa
A família de Renee Good, de 37 anos, entrou com dois processos na Justiça federal contra o governo dos Estados Unidos e altos funcionários federais pela morte da americana, baleada por um agente do Immigration and Customs Enforcement (ICE) em Minneapolis no início deste ano.
Good estava no banco do motorista de seu Honda Pilot, em uma rua residencial, quando o agente Jonathan Ross abriu fogo. Segundo autoridades federais, o agente teria atirado em legítima defesa depois que Good tentou atingi-lo com o veículo.
Uma das ações, apresentada com base na Lei Federal de Responsabilidade Civil (Federal Tort Claims Act), acusa agentes federais de terem utilizado força excessiva e letal contra Good.
O segundo processo é direcionado a autoridades como Stephen Miller, assessor sênior da Casa Branca; Kristi Noem, ex-secretária do Departamento de Segurança Interna; Tom Homan, responsável pela política de fronteiras; além de Ross e outros agentes federais.
Segundo a denúncia, Ross teria disparado através do para-brisa e da janela aberta do lado do motorista enquanto o veículo fazia uma curva e se afastava dele. O documento afirma que o agente se aproximou do carro, efetuou um disparo pelo para-brisa e, em seguida, fez outros dois tiros pela janela aberta.
Os advogados da família acusam as agências federais de uso injustificado e excessivo da força e afirmam que a operação fazia parte de uma estratégia mais ampla de repressão contra comunidades de origem somali e hispânica em Minnesota.
A denúncia também descreve a operação como uma mobilização de milhares de agentes armados e mascarados, com equipamentos táticos e armas de uso militar. Essas afirmações constam do processo apresentado pela família e ainda são objeto de disputa judicial.
O Departamento de Segurança Interna não havia respondido imediatamente ao pedido de comentário da ABC News.
Os processos foram apresentados quase dez meses após a morte de Good e agora terão de avançar pela Justiça federal, onde as alegações apresentadas pela família poderão ser contestadas pelo governo.
Imagens: ABC