ICE investigou grupos ligados ao registro de eleitores e infiltrou redes anti-imigração
Documentos internos revelam que agentes de investigação consideraram operações infiltradas contra organizações suspeitas de incentivar o registro de não cidadãos e atuaram dentro de grupos anti-ICE.
O Immigration and Customs Enforcement (ICE) considerou utilizar agentes infiltrados e fontes confidenciais para investigar organizações suspeitas de incentivar não cidadãos a se registrar para votar nos Estados Unidos. Em outro caso, agentes da Homeland Security Investigations (HSI) se infiltraram em redes de ativistas contrários ao ICE.
As informações aparecem em documentos internos obtidos pelo grupo Democracy Forward por meio de uma ação baseada na Lei de Liberdade de Informação (FOIA) e analisados pela Newsweek. Os registros mostram estratégias discutidas pelo governo Trump antes das eleições de meio de mandato de 2026.
Segundo os documentos, a HSI avaliou operações em organizações de Nova Jersey e Pensilvânia. Caso uma entidade fosse considerada envolvida no recrutamento de imigrantes em situação irregular para o registro eleitoral, agentes infiltrados poderiam ser usados para coletar evidências, interromper atividades e rastrear estruturas de financiamento.
Em Minneapolis, documentos indicam que agentes da HSI também se infiltraram em grupos da chamada “Rapid Response Network”, enquanto investigavam denúncias de perseguição, assédio e divulgação de dados pessoais de agentes federais. Segundo um relatório da agência, a operação teria produzido informações consideradas úteis para confirmar uma ação coordenada contra autoridades.
A ofensiva ocorre em meio ao aumento das investigações do governo sobre suposta participação de não cidadãos em eleições. A administração Trump também ampliou o uso de dados de imigração e registros eleitorais para identificar possíveis casos de fraude.
Apesar disso, registros de votação ilegal por não cidadãos continuam sendo raros. Um banco de dados da conservadora Heritage Foundation contabilizou 24 casos entre 2003 e 2023, embora a própria organização reconheça que o levantamento não representa uma contagem completa.
Os documentos também mostram que a HSI analisou dezenas de organizações sem fins lucrativos e grupos de registro eleitoral. Em diversas revisões, porém, a agência informou não ter encontrado evidências de irregularidades ou informações suspeitas.
Além disso, registros do ICE apontam para a prisão de residentes permanentes legais de diferentes países, incluindo Bósnia e Libéria, acusados de votar ilegalmente. Em um dos documentos, os dois tinham ficha criminal limpa e não possuíam ordem final de deportação no momento das prisões.
Orientações jurídicas internas indicam que o ICE passou a priorizar processos de remoção contra não cidadãos acusados de votar ilegalmente ou de declarar falsamente que eram cidadãos americanos. As agências também passaram a compartilhar informações para identificar possíveis casos de registro ou votação ilegal.
Fonte: Newsweek