Imigrantes processam ICE por retenção de passaportes e documentos após saírem da detenção
Ação coletiva apresentada em Washington afirma que ex-detidos continuam sem autorizações de trabalho, identificações e outros pertences meses depois da libertação. Agência é acusada pelos autores de prática ilegal; processo ainda será analisado.
Sete imigrantes que passaram por centros de detenção federal e foram posteriormente liberados entraram nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026, com uma ação coletiva contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Eles afirmam que a agência tem deixado de devolver documentos e pertences pessoais apreendidos durante as detenções, em alguns casos por vários meses depois da soltura.
A ação, apresentada à Justiça federal em Washington, questiona uma prática que os autores descrevem como sistemática. Entre os itens supostamente retidos estão passaportes, documentos de identidade, autorizações de trabalho, cartões do Seguro Social, telefones celulares, chaves de veículos e outros objetos pessoais.
Segundo a American Civil Liberties Union (ACLU) do Distrito de Columbia, que divulgou o caso, a falta de documentos tem provocado consequências concretas na vida dos ex-detidos. A impossibilidade de comprovar identidade ou autorização para trabalhar pode impedir a contratação formal, gerar despesas e ampliar o receio de novas abordagens pelas autoridades de imigração.
Um dos autores, Vladimir Izmailov, é um solicitante de asilo russo que afirma não ter recuperado documentos de autorização de trabalho e outros pertences mais de cinco meses após deixar a detenção. De acordo com a organização, ele precisou recorrer a empréstimos para custear o aluguel de sua família enquanto permanecia impossibilitado de encontrar emprego regular.
Os advogados argumentam que o governo não pode continuar retendo bens quando deixa de existir uma justificativa legal para isso, como a necessidade de preservá-los como provas em investigação. A ação cita garantias constitucionais e regras federais contra decisões administrativas arbitrárias. Os autores pedem a restituição dos pertences e medidas que obriguem o ICE a modificar sua conduta.
A apresentação da ação não significa que a Justiça tenha confirmado as acusações. Os pedidos ainda serão examinados no processo, e as posições oficiais dos órgãos envolvidos poderão ser apresentadas ao tribunal.
O caso chama atenção para uma dificuldade que pode persistir mesmo depois da libertação da custódia migratória: sem acesso a documentos essenciais, imigrantes podem continuar enfrentando obstáculos para trabalhar, manter moradia e resolver pendências legais. Pessoas em situação semelhante devem guardar comprovantes de apreensão e libertação e procurar assistência jurídica adequada.