Governo Trump realizou 980 mil deportações nos primeiros 18 meses do mandato

Relatório aponta que apenas 20% das pessoas deportadas no período tinham condenação criminal; entre imigrantes que viviam há pelo menos dois anos nos EUA, 71% não tinham antecedentes criminais.

Por Lara Barth

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O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) supervisionou cerca de 980 mil deportações nos primeiros 18 meses do segundo mandato do presidente Donald Trump, segundo um relatório publicado nesta quinta-feira pelo Migration Policy Institute, centro de pesquisa especializado em políticas migratórias.
De acordo com o levantamento, apenas 20% das pessoas deportadas no período tinham condenação criminal. Entre os imigrantes que viviam nos Estados Unidos há dois anos ou mais, 71% não possuíam condenações criminais.
O relatório foi elaborado por Marc Rosenblum, ex-diretor do Escritório de Estatísticas de Segurança Interna do DHS. Segundo o estudo, o número anual de deportações aumentou em comparação com o governo do ex-presidente Joe Biden e com o primeiro mandato de Trump, mas continua abaixo dos níveis registrados regularmente no início dos anos 2000.
Das 980 mil deportações realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), aproximadamente 580 mil — 59% do total — foram remoções formais. Outras 300 mil, equivalentes a 30%, foram retornos decorrentes de ações de fiscalização, enquanto 110 mil, ou 11%, foram retornos administrativos.
Trump afirma que o endurecimento da política migratória e a ampliação das deportações têm como objetivo reforçar a segurança interna. Organizações de defesa dos direitos humanos, por outro lado, afirmam que as medidas violam garantias de devido processo legal e liberdade de expressão, além de criar um ambiente de insegurança, especialmente para minorias étnicas que relatam preocupações com possíveis práticas de discriminação racial.
Na terça-feira, o Departamento de Estado informou que o governo Trump revogou mais de 300 mil vistos americanos desde o início do segundo mandato.
Entre os casos criticados por organizações de direitos humanos estão as revogações de vistos de manifestantes pró-palestinos que protestaram contra a ofensiva de Israel em Gaza, país aliado dos Estados Unidos, e de estrangeiros que publicaram comentários nas redes sociais sobre o assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk.
As tentativas de deportação promovidas pelo governo também enfrentaram diversos processos judiciais, com decisões favoráveis e contrárias às medidas da administração.

Fonte: Reuters