Procura de brasileiros por vistos para os EUA dispara após reeleição de Lula
Escritórios de advocacia na Flórida registraram centenas de consultas em um único dia, volume muito acima da média. Famílias com recursos para investir e profissionais altamente qualificados estão entre os interessados.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (25), foi seguida por um aumento expressivo na procura de brasileiros por informações sobre imigração legal para os Estados Unidos. Empresas especializadas registraram centenas de consultas em apenas um dia, com aumentos que chegaram a superar 2.000% em relação ao movimento habitual.
Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, dois escritórios de imigração localizados em Miami e Orlando receberam, juntos, 1.343 consultas na segunda-feira (26), primeiro dia útil após o segundo turno.
Em Miami, foram 700 contatos, diante de uma média habitual de 500 a 600 por mês. Em Orlando, outra empresa registrou 643 avaliações iniciais, contra aproximadamente 20 contatos diários.
O crescimento também foi relatado por outras empresas do setor. Uma consultoria de imigração com operações nos Estados Unidos e em Dubai informou aumento de 500% na demanda, passando de 50 para 300 solicitações diárias.
Já outra empresa de planejamento migratório relatou crescimento de 2.154% no volume de contatos após o resultado eleitoral, segundo reportagem do Metrópoles.
O interesse em deixar o Brasil também apareceu nas pesquisas da internet. Dados do Google Trends divulgados pelo R7 apontaram que, após o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, as buscas pela expressão “como morar fora do Brasil” aumentaram 5.000% em comparação com a semana anterior.
Entre os interessados que procuraram empresas de imigração estão investidores, empresários e profissionais qualificados. As categorias mencionadas incluem EB-5, EB-1A e EB-2 NIW, que possuem diferentes requisitos para obtenção da residência permanente americana.
Segundo representantes do setor, parte das famílias cita insatisfação com o cenário político brasileiro, enquanto outras procuram oportunidades profissionais, segurança financeira e melhores perspectivas de vida no exterior.
Apesar dos números expressivos, o aumento nas consultas não representa necessariamente uma nova onda de imigração. Os dados foram fornecidos pelas próprias empresas e não correspondem a pedidos oficiais de visto ou green card.
Em um dos escritórios consultados, apenas 150 dos 700 contatos foram considerados potenciais candidatos a alguma categoria migratória. Ainda não existem dados oficiais que comprovem um aumento equivalente nas solicitações ou aprovações de residência permanente após as eleições.