Mulheres invisíveis em família

Por Adriana Tanese Nogueira

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Mulheres invisíveis trabalham com afinco dentro e fora de casa, e sustentam a Família. Se não a sustentarem economicamente certamente o fazem do ponto de vista emocional, pois não basta trazer o dinheiro para a casa, é preciso de coesão e vínculo para que haja Casa de verdade, ou seja Lar, Família, Relação. As mulheres são as que formam os laços familiares, nutrem os afetos, constroem, costuram, curam e nutrem as relações. São ouvintes e compreensivas. Dão o primeiro passo, entendendo logo do que se trata. Colocam-se em segundo lugar porque caso contrário nada funcionaria, porque se não fizessem o sacrifício não haveria jantar ou roupa lavada, ou as crianças estariam ainda mais difíceis do que já estão e suas tarefas de casa não estariam feitas. Dão uma colher de chá ao marido porque assim o relacionamento flui melhor, relevam para ter menos dor de cabeça e manter vivas (para si mesmas) a esperança de chegar um dia onde elas sonham. O que elas sonham? Sonham com companheirismo, partilha, romance, entendimento, integração, reconhecimento, admiração, respeito... Sonham com Amor. Amor que se faz visível quando alguém – leia-se: seus maridos – percebem o que elas estão sentindo, começando com a coisa mais simples: cansaço após um longo e difícil dia de trabalho. Amor que se mostra no gesto carinhoso, no olhar compreensivo, na flor dada de surpresa. Um olhar. Ser vista. Ser vista é ser reconhecida como um indivíduo e não pelo que ela faz, pelo uso que ela tem. Em geral, são as mulheres que, após vinte e tantos (ou menos) anos de casadas, se separam. Se forem os homens a tomarem a iniciativa, geralmente, é porque eles encontraram outra. Quando as mulheres se separam é porque se cansaram. Cansaram-se de serem invisíveis. Cansarem-se de não serem reconhecidas, ouvidas, olhadas. Seus sentimentos invisíveis. Suas necessidades invisíveis. Sua angústia invisível. Enquanto trabalham incansavelmente para manter a coesão familiar, sacrificam um pedaço importante de si que, com o tempo, clama por seus direitos. O direito a receber, e não só a dar. A alegria de ser reconhecida, valorizada, suportada, apoiada, impulsionada, acolhida. Sonham com um tipo de amor que faz com que o outro perceba quando elas precisam de um abraço – só de um abraço, sem palavras e sem soluções prontas. Quando amar é uma tarefa eminentemente feminina o fracasso é garantido. Criar um lar, uma família ou uma relação nesta base é como tentar construir um castelo em areia movediça. Missão impossível. Amar é uma função humana que deveria ser de competência de todos que desejam ser amados. Amamos o outro quando sabemos olhar para ele e enxergamos nele mais do que o que ele nos dá. Continuamos a amar quando continuamos a nos manter abertos ao outro no lugar de querer que ele caiba na nossa caixinha. Subestima-se a importância da felicidade feminina para o bem-estar da família como um todo e sobretudo dos filhos, de seu equilíbrio psicossocial e sucesso na vida. A felicidade feminina começa com um bom relacionamento com o companheiro. O casal é o cerne da família e o termómetro para medir o nível de equilíbrio e bem-estar dos filhos. Não nos enganemos com as aparências. Os filhos sabem como suas mães estão de verdade e, que eles as desrespeitem ou as compadeçam, um dia pagarão o pacto, pois a marca de uma mãe na alma de um filho é a mais poderosa que existe. Logo, mulheres, seu sacrifício (pelos filhos e pela família) não vale a pena se vocês não estão felizes. Sua felicidade é tão importante quando o amoroso cuidado que dedicam aos seus filhos.