Nos EUA há 10 anos, família argentina indocumentada não será deportada
No dia 14 de dezembro, agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) descobriram a família Flores, no norte de Miami, de acordo com história do “Miami Herald”.
Rubén Flores, de 46 anos, e sua esposa, Claudia Quevedo, de 44, foram detidos em casa. Quando sua filha Rocío, de 22 anos, chegou para ver o que estava acontecendo, ela também foi detida.
Os Flores chegaram ao sul da Flórida em 2001, quando os Estados Unidos ainda não exigiam vistos para os visitantes da Argentina. Eles acabaram sendo equipados com tornozeleiras eletrônicas e liberados da detenção.
A imigração definiu que eles tinham que retornar para a Argentina no dia 20 deste mês. No entanto, um porta-voz do ICE, Danielle Bennett, disse ao “El Nuevo Herald” que sua agência não tem planos para deportar a família.
Essa postura do ICE em relação à família Flores parece confirmar uma política nova da administração Obama de deportar estrangeiros com condenações penais, em vez de imigrantes indocumentados sem passagem pela polícia.
Mas autoridades federais dizem que isso não significa que a detenção de imigrantes indocumentados cessará. Detenções continuarão, mesmo que menos pessoas do que aqueles com condenações criminais sejam deportados, dizem eles.
Mesmo quando os detidos são liberados, muitos não são capazes de resolver sua situação de imigração, pois não se pode aplicar para residência permanente ou cidadania.
No caso de Rocío Flores e sua irmã, ambas se casaram com cidadãos americanos e elas podem pedir a residência. Mas em outros casos, o máximo que os imigrantes indocumentados que foram libertados da prisão podem fazer é pedir uma autorização de trabalho, ainda segundo matéria no “Miami Herald”.
A comunidade argentina do sul da Flórida é a maior nos Estados Unidos, de acordo com diplomatas argentinos em Miami. O caso dos argentinos em situação irregular é particularmente complexo porque muitos chegaram durante um tempo quando vistos não eram necessárias para que entrassem no país.
Se detido, um visitante estrangeiro admitido sem um visto tem menos direitos se detido por estar no país ilegalmente do que aqueles com vistos. Por exemplo, os estrangeiros que entraram legalmente no país sem visto, como os argentinos fizeram em 2001, não têm direito de ter seu caso ouvido no tribunal de imigração.
