Lula diz que não há assunto proibido com Trump e planeja discutir tarifas e ofensiva na Venezuela
Presidente brasileiro espera encontro com Trump na Malásia e afirma que está disposto a tratar desde comércio bilateral até ações dos EUA no Caribe.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (24), em Jacarta, na Indonésia, que “não há assunto proibido” na aguardada reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para ocorrer neste domingo (26) em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro ainda não foi oficialmente confirmado pelos dois governos, mas Lula tratou o compromisso como certo durante coletiva de imprensa.
Segundo o presidente, a conversa deve incluir temas delicados como o tarifaço de 50% imposto por Washington a produtos brasileiros, as sanções norte-americanas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a ofensiva militar dos EUA na costa da Venezuela. “Tenho todo interesse nessa reunião, mostrar que houve equívoco nas taxações, mostrar com números”, disse.
O Itamaraty reservou parte do domingo para reuniões bilaterais de Lula, que já tem confirmado um encontro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O brasileiro chegou à Malásia após passagem pela Indonésia, onde foi recebido pelo presidente Prabowo Subianto, para participar da Cúpula da ASEAN, que reúne líderes de dez países do sudeste asiático.
Lula destacou que mantém uma boa relação pessoal com Trump e que “relação humana é química”, defendendo o valor do diálogo presencial. “Olho no olho, pegar na mão, abraçar a pessoa”, afirmou. Ele disse acreditar que “não há divergência que não possa ser resolvida quando duas pessoas sentam à mesa para conversar”.
Entre os assuntos que prometem gerar tensão, está a proposta de adoção de uma moeda alternativa ao dólar nas transações comerciais entre países do Brics — iniciativa que Trump quer ver abandonada. “Queremos multilateralismo e não unilateralismo”, declarou Lula, defendendo que Brasil e parceiros asiáticos possam comercializar “com as nossas próprias moedas”.
O presidente brasileiro também comentou os ataques norte-americanos a barcos na costa da Venezuela, conduzidos sob o pretexto de combater o narcotráfico. Lula afirmou que, se o tema surgir, está disposto a discutir. “Se o mundo virar uma terra sem lei, vai ficar muito difícil”, criticou, reprovando a política de Trump de autorizar operações secretas da CIA no território venezuelano.
Na coletiva, Lula ainda falou sobre a COP 30, que será realizada em Belém (PA), e defendeu o projeto da Petrobras na Foz do Amazonas, afirmando que a perfuração é apenas uma pesquisa inicial e que a estatal tem “expertise para remover o petróleo sem causar danos”. Para ele, os recursos do petróleo devem ser usados para financiar a transição energética.
“A Petrobras está deixando de ser uma empresa de petróleo para ser uma empresa de energia”, afirmou Lula, ressaltando que “ninguém ainda tem condição de se libertar do combustível fóssil”.
Fonte: G1