Governador do Rio pressiona Trump para classificar Comando Vermelho como organização narcoterrorista
Medida permitiria sanções econômicas e cooperação direta com EUA, mas governo Lula resiste temendo impactos financeiros e diplomáticos.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), intensificou esforços junto ao governo dos Estados Unidos para que o Comando Vermelho (CV) seja incluído na lista americana de organizações narcoterroristas. A classificação permitiria a aplicação de sanções econômicas, bloqueio de ativos e cooperação direta com agências como a DEA, o FBI e a ONU, segundo relatório obtido com exclusividade pelo jornal O Globo.
O documento apresentado pelo governo do Rio argumenta que o CV, devido à sua sofisticação, brutalidade e atuação transnacional, justifica a inclusão na lista de sanções. Entre os benefícios apontados estão a facilitação de pedidos de extradição de líderes da facção refugiados em outros países e a capacidade de bloquear empresas de fachada e aliados econômicos ligados ao grupo. Castro também busca que o tema seja incorporado ao projeto de lei antifacção que o Palácio do Planalto pretende enviar ao Congresso.
Apesar do avanço das articulações, o governo Lula trata a proposta com cautela. Auxiliares do presidente avaliam que a designação poderia gerar efeitos colaterais graves, incluindo sanções financeiras a bancos ou ao próprio governo federal, caso os EUA considerem o Brasil leniente no combate ao crime organizado. O precedente citado é a Lei Magnitsky, usada para impor sanções a autoridades estrangeiras por supostas violações de direitos humanos.
O movimento de Castro ocorre após a megaoperação nas comunidades da Penha e do Alemão, que deixou mais de 120 mortos e reacendeu o debate sobre o poder das facções no Rio. Governadores alinhados à direita planejam agora colocar a classificação do CV como grupo terrorista no centro do debate político, em paralelo ao avanço do projeto antifacção.
Fonte: Infomoney